Companhias aéreas pedem que passageiros cedam assentos após caos com vulcão

O objetivo é reduzir a fila de turistas que ficaram em terra por causa da paralisação nos voos

AE-AP

24 de abril de 2010 | 14h51

Companhias aéreas apelavam, neste sábado, aos passageiros para que abrissem mão de seus assentos em prol de viajantes que não conseguiram embarcar anteriormente, uma vez que seguem tentando reduzir a fila de centenas de turistas que ficaram em terra em razão da paralisação nos voos na Europa, provocada pelas cinzas espalhadas por um vulcão nas Islândia.

 

A British Airways e a Virgin Atlantic pediam a passageiros com viagens marcadas para voos de longa distância na próxima semana para que considerassem a possibilidade de ceder seus assentos para viajantes afetados pelas interrupções no tráfego aéreo. Com o fechamento do espaço aéreo causado pelas nuvens de cinzas expelidas pelo vulcão Eyjafjallajokull, a aviação civil na Europa vivenciou a pior interrupção de voos desde a Segunda Guerra Mundial. Mais de 100 mil voos foram cancelados e as companhias aéreas estima ter registrado um prejuízo de mais de US$ 2 bilhões em razão do caos. "

 

É uma situação muito difícil e estamos tendo que lidar com uma série de complexidades, companhias aéreas afetadas em diversas parte do mundo e tripulações presas em diferentes pontos do globo", afirmou o executivo-chefe da British Airways, Willie Walsh. Autoridades na Europa afirmam que a maior parte do continente está agora livre das cinzas vulcânicas e que a maioria dos serviços aéreos opera normalmente. Várias operadoras aéreas afirmaram que estão colocando novos voos à disposição para que os viajantes consigam voltar para suas casas.

 

A agência de proteção civil da Islândia informou que o Eyjafjallajokull ainda estava expelindo cinzas, mas que as nuvens situavam-se cerca de 3 quilômetros acima do nível da terra - uma altura que não seria capaz de atingir jatos. E os ventos tomavam a direção do sudeste - distante da Europa, segundo Olof Baldursdottir, membro da agência de proteção civil. Vários aeroportos da Islândia - incluindo o Keflavik International Airport e Reykjavik International Airport - seguem fechados. "Ainda há muitos tremores no vulcão, mas a nuvem de fumaça tem altura inferior a 3 quilômetros e as cinzas estão caindo, principalmente, nos arredores", disse Baldursdottir. Pall Einarsson, um geofísico da Universidade da Islândia, afirmou que Eyjafjallajokull estava sendo monitorado de perto e expelindo cinzas em uma quantidade bem menor.

 

No aeroporto de Gatwick, o segundo mais movimentado de Londres, Daniel Starks, um fazendeiro de 39 anos, afirmou que ele foi um dos 200 turistas que ficaram retidos na ilha espanhola de Tenerife por um período adicional de cinco dias, em razão do caos aéreo. "Há ainda muita gente que não consegue voltar." Cerca de 20 mil franceses ainda estavam retidos em aeroportos estrangeiros, principalmente nos EUA e Ásia, de acordo com estimativas divulgadas na sexta-feira. A França disponibilizou €1 milhão (US$ 1,3 milhão) para ajudar a cobrir despesas de viajantes que foram atingidos por atrasos em voos provocados pelas cinzas. Um porta-voz da Deutsche Lufthansa AG disse que poucos passageiros ainda estavam presos no exterior sem conseguir retornar.

 

O fundador da Virgin Atlantic, Richard Branson, classificou como desnecessária a suspensão ampla de voos na Europa, em razão da apreensão sobre os danos das cinzas para as turbinas dos aviões . "Uma suspensão em toda a Europa não foi a decisão certa", disse. "Os aviões enfrentam tempestades de areia na África e seus motores são desenhados para fazer frente a muito mais do que existe". Ele afirmou que engenheiros da Virgin insistiam que havia vários corredores seguros para as viagens aéreas. A companhia de Branson perdeu US$ 77 milhões com as suspensões. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu a decisão de fechamento do espaço aéreo, insistindo que é correto priorizar a segurança do viajante.

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