Associated Press
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Condenado por atentado de Lockerbie é libertado pela Escócia

Ali al-Megrahi, condenado por ataque que derrubou avião e matou 270 em 1988, sofre de câncer terminal

Reuters

20 de agosto de 2009 | 10h25

O governo da Escócia anunciou a libertação de Abdel Baset al-Megrahi, por motivos humanitários, para permitir que ele possa voltar para a Líbia para morrer. O secretário de Justiça Kenny MacAskill afirmou nesta quinta-feira, 20, que há séria piora no estado de saúde de al-Megrahi, vítima de câncer de próstata em estado terminal. Al-Megrahi foi conduzido nesta quinta-feira ao Aeroporto de Glasgow e embarcou em um avião da Afriqiyah, a empresa aérea da Líbia, com destino a Tripoli.

"Megrahi agora enfrenta uma sentença imposta por um poder mais elevado", disse o ministro escocês da Justiça, Kenny MacAskill, em entrevista coletiva. "É terminal, final e irrevogável. Ele vai morrer."

Um porta-voz do governo em Trípoli disse que Megrahi está sendo levado de avião para o seu país por um filho do líder líbio, Muammar Khadaffi. "Megrahi foi libertado e está a caminho de casa", afirmou.

O ex-agente, de 57 anos, foi a única pessoa condenada por aquele atentado. Em 2002, ele perdeu um recurso contra a condenação. Em 2007, porém, uma revisão judicial feita pela Escócia concluiu que pode ter havido erro judicial no caso.

O governo dos EUA e parentes de muitos dos 189 norte-americanos mortos eram contra a libertação dele, exigindo que ele cumprisse toda a pena de prisão perpétua. Já entre os parentes britânicos das vítimas havia uma tendência em prol da sua libertação para que morra em seu país.

 

A Casa Branca disse que "deplora profundamente" a decisão. "Como dizemos várias vezes a funcionários do governo da Grã-Bretanha e às autoridades escocesas, continuamos a acreditar que Megrahi deveria cumprir a totalidade da sua sentença na Escócia", disse a presidência dos Estados Unidos em comunicado. "Neste dia, expressamos nossa mais profunda solidariedade às famílias que tentam superar diariamente a perda dos seus entes queridos".

 

MacAskill disse que o detento está consciente de que muitas pessoas discordam da posição tomada pelo governo. Al-Megrahi foi condenado em 2001 por participar do atentado contra o voo 103 da Pan Am, em 21 de dezembro de 1988. Ele foi condenado à prisão perpétua.

 

O avião, que levava em sua maioria norte-americanos para Nova York, explodiu enquanto sobrevoava a Escócia. Todas as 250 pessoas a bordo morreram. Outras 11 pessoas que estavam no solo também morreram, quando a aeronave caiu na cidade de Lockerbie.

Megrahi deve ser recebido calorosamente por Khadaffi, cujo regime se aproximou dos principais governos ocidentais desde que abandonou o seu programa de armas nucleares, em 2003.

O caso de Megrahi se tornou um marco para o governo escocês, já que coloca em conflito uma série de interesses, entre eles o fato de que as empresas britânicas de petróleo tentam ampliar seus negócios na Líbia, e esperam que a libertação do ex-agente abra portas.

Em 2007, a empresa britânica BP encerrou 30 anos de ausência na Líbia ao assinar um acordo bilateral em que faz o seu maior compromisso de exploração de petróleo. A anglo-holandesa Royal Dutch Shell também deseja explorar as reservas petrolíferas líbias, as maiores da África.

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