Conflito com Geórgia mostra 'fraqueza' russa, dizem EUA

Oficial do governo americano afirma ao 'Post' que busca por revanchismo é sinal de uma nação fraca

Agências internacionais,

28 de agosto de 2008 | 15h11

O conflito entre a Rússia e a Geórgia é um sinal de franqueza da nação russa, e não uma demonstração de força, e que colocou a ordem mundial em risco, segundo afirmou o secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos, Daniel Fried, na edição desta quinta-feira, 28, do jornal americano The Washington Post. "Existe na Rússia um discurso de 'nós éramos fracos nos anos 1990, mas agora estamos de volta e não aceitaremos mais isso'. Mas essa raiva e busca por revanchismo não é sinal de uma nação forte, mas sim de um país fraco", afirmou.   Veja também: EUA armaram crise na Geórgia com objetivo eleitoral, acusa Putin UE ameaça Rússia com sanções por crise na Geórgia Rússia diz ter míssil capaz de superar defesa antimísseis Entenda o conflito separatista na Geórgia   Fried acredita que Moscou voltará aos termos da realidade e se integrar com o mundo ou provocará seu próprio isolamento. "É uma escolha que a Rússia deve fazer", afirmou. A crise iniciou-se no começo deste mês, quando a Geórgia tentou retomar, à força, o controle sobre a província separatista da Ossétia do Sul. A Rússia respondeu com uma devastadora contra-ofensiva. As forças russas expulsaram o Exército georgiano da região rebelde e ainda ocupam algumas partes do território da Geórgia. Na terça-feira, o governo da Rússia anunciou o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, uma outra região georgiana separatista.   A comunidade internacional discute como a Rússia deve ser punida pela incursão. Um acordo de cooperação nuclear civil entre Moscou e Washington está parado no Congresso, e o Kremlin tenta há 13 anos ingressar na Organização Mundial de Comércio (OMC), sem sucesso. Oficiais russos nas últimas semanas desprezaram o ingresso do país no grupo - o primeiro-ministro Vladimir Putin chegou a afirmar que não teria "vantagens" em integrar a OMC -, mas oficiais americanos prevêem que a Rússia sofrerá se for isolada.   O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aprovou nesta quinta-feira a concessão de US$ 5,75 milhões para ajudar à Geórgia e reforçou a presença americana na região com o envio de dois navios e vários aviões com ajuda humanitária. A Casa Branca informou que o presidente Bush aprovou esta verba, a partir do Fundo de Assistência de Emergência aos Refugiados e Deslocados, para ajudar aos mais de 100 mil georgianos que tiveram que abandonar suas residências pelo conflito armado com a Rússia envolvendo a região separatista da Ossétia do Sul.   Os EUA também estão reforçando sua presença na zona com operações iniciadas por suas Forças Armadas para distribuir comida, água, camas, remédios e produtos de primeira necessidade. Desde que começou com a operação de socorro em 13 de agosto, a Força Aérea americana fez 55 vôos na região e entregou 881 toneladas de ajuda. Só esta semana, o Exército americano entregou 25 mil rações diárias e 31 mil pratos de comida preparada para os afetados pelo conflito.   "Estamos trabalhando com a República da Geórgia e com as organizações internacionais para salvar vidas e pôr os sistemas de primeira necessidade como parte de um esforço interinstitucional coordenado", disse Michael Ritchie, diretor do comando europeu dos EUA em um encontro com jornalistas. Os EUA asseguraram que seguirão dando assistência logística ao governo da Geórgia enquanto for necessário, sob a direção do departamento de Estado e da Agência para o Desenvolvimento Internacional, "para salvar vidas e aliviar o sofrimento humano durante esta crise humanitária".   O general do Exército dos Estados Unidos Bantz J. Craddock, chefe do comando conjunto europeu americano, visitou a Geórgia na semana passada para supervisionar as atividades de ajuda. "Temos que fazê-lo bem para que possamos ajudar as pessoas rapidamente", disse durante sua visita."Queremos otimizar o esforço de ajuda humanitária e pôr o material necessário, no lugar correto e no momento adequado", ressaltou.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaGeórgiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.