Confrontos marcam 7.º dia de violência na Grécia

Marcha de estudantes pára o centro de Atenas; policiais usam bombas de gás lacrimogêneo contra multidão

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2008 | 11h22

Apesar da forte chuva, estudantes gregos de ensino médio se reuniram nesta sexta-feira, 12, para uma manifestação no centro de Atenas. Eles protestam contra a morte de um jovem pela polícia, no sábado passado. As marchas congestionaram o centro de Atenas, quando centenas de estudantes fizeram uma passeata e protagonizaram confrontos isolados com as forças de segurança. Estudantes lançaram bombas de gasolina e pedras contra policiais que faziam a segurança do Parlamento no sétimo dia de confrontos e que ameaça a estabilidade do governo grego.   Veja também: Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo    A televisão estatal informou que centenas de estudantes se concentraram no centro da capital e fecharam as principais avenidas, provocando um caos no trânsito e dificultando o funcionamento das lojas. Após uma noite de calma, grupos de jovens radicais atiraram pedras nos policiais quando esses começaram a identificar os manifestantes e deter os menores. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os jovens, que traziam faixas de "Estado assassino", "o governo é culpado por assassinado.   Houve vários protestos todos os dias na Grécia desde a morte de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, em circunstâncias não totalmente esclarecidas. Na quinta-feira, os protestos se espalharam por várias cidades européias. Além da marcha no centro da capital grega, os estudantes planejam manifestações diárias em Atenas na próxima semana. Segundo a polícia, algumas vias foram paralisadas pelos protestos. As autoridades também afirmaram que os manifestantes ocuparam rapidamente uma emissora de rádio privada e leram um manifesto. Um prédio municipal na cidade de Ioannina, no noroeste grego, também foi ocupado.   Centenas de lojas foram danificadas e algumas completamente destruídas. Os manifestantes ampliaram suas demandas, exigindo que o conservador primeiro-ministro Costa Karamanlis deixe o poder. O partido de Karamanlis tem maioria de apenas uma cadeira no Legislativo. Porém o primeiro-ministro nega qualquer intenção de deixar o cargo e antecipar as eleições.   Na quinta-feira, 20 delegacias foram atacadas e vários carros foram virados pelos manifestantes. Os principais confrontos ocorreram no meio da semana, agravados também pela dificuldade econômica de boa parte da população, em meio à crise internacional.   Os manifestantes pedem ainda uma mudança no enfoque dos gastos públicos, a demissão do ministro do Interior e a libertação dos detidos durante os protestos. Perto de 100 pessoas foram presas e 70 ficaram feridas durante as manifestações.

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