Conservadores derrotam trabalhistas em eleições britânicas

Partido do premiê Gordon Brown sofre maior derrota em 40 anos; líder diz que resultado é decepcionante

Associated Press e Efe,

02 de maio de 2008 | 15h06

O Partido Trabalhista do Reino Unido, do primeiro-ministro Gordon Brown, foi derrotado nas eleições locais, no pior desempenho da sigla em quatro décadas. Os trabalhistas perderam tradicionais bastiões, em uma votação que levantou dúvidas sobre a capacidade de Brown para conduzir o partido à vitória nas eleições gerais.   Veja também:   Brown diz que derrota trabalhista nas eleições é decepcionante   Dos 159 municípios em jogo na Inglaterra e no País de Gales, os conservadores conseguiram 256 vereadores e 12 municípios, enquanto os trabalhistas perderam 331 vereadores e nove municípios, e os liberal-democratas ganharam 34 vereadores e um município. A participação eleitoral, segundo os meios de imprensa britânicos, foi estimada em torno dos 35%.   A derrota nas eleições locais deve engrossar o coro de críticas dentro do Partido Trabalhista. Membros do partido argumentam que Brown, de 57 anos, deve ser substituído por alguém mais dinâmico, capaz de se contrapor ao carisma do jovem líder do Partido Conservador, David Cameron, de 41 anos.   Os conservadores comemoravam o resultado nesta sexta-feira. "O navio do Estado está se dirigindo em direção às pedras", ironizou o porta-voz do partido, Ed Pickles. Segundo ele, Brown deve agora adiar a votação nacional até a data mais distante possível, em 2010.   Para Brown, a maior derrota seria a possível perda da prefeitura da capital. Londres está nas mãos dos trabalhistas há quase uma década. Comandar a capital do país envolve um orçamento bilionário, que inclui os planos para a Olimpíada de 2012. "Está claro para mim que esta foi uma noite decepcionante, de fato uma noite ruim para os trabalhistas", disse Brown a repórteres.   Os conservadores ganharam força e apelo eleitoral sob o comando do jovial Cameron. A forma como ele revitalizou a sigla é comparada à ascensão do ex-primeiro-ministro Tony Blair entre os trabalhistas, na década de 1990. "Eu acredito que esses resultados não são apenas um voto contra Gordon Brown e seu governo", disse Cameron nesta sexta-feira. "Eu acredito que eles são um voto de confiança no Partido Conservador."   Brown atribuiu o desempenho às dificuldades econômicas. A crise de hipotecas de segunda linha (subprime) também afetou o país, além dos danos trazidos pela decisão de nacionalizar o banco Northern Rock, outra vítima da crise de crédito.   Ministro da Economia de Blair por mais de uma década, Brown era considerado um dos principais responsáveis pela mais longa fase de prosperidade vivida peo Reino Unido desde o pós-Segunda Guerra (1939-45). Ele assumiu o cargo de líder do Partido Trabalhista no ano passado, tornando-se primeiro-ministro sem uma eleição. Inicialmente era bem-visto pelos eleitores, elogiado por exemplo pela sua condução durante ataques terroristas frustrados em Londres e Glasgow. Porém as dificuldades econômicas e erros na condução do país trouxeram críticas.   Os eleitores reclamam dos altos preços dos alimentos e dos combustíveis. Além disso, mudanças tributárias prejudicaram os pobres e parte dos operários britânicos.

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