Contagem regressiva para a queda de sonda russa

A sonda russa Phobos-Grunt, que fracassou em sua missão a Marte, deve cair de volta à Terra no domingo, enquanto profissionais do país tentam prever onde ela vai colidir durante a contagem regressiva para reentrada.

ALISSA DE CARBONNEL, REUTERS

15 de janeiro de 2012 | 15h51

A agência espacial Roskosmos diz que os escombros da nave espacial de 14 toneladas, que incluem 11 toneladas de combustível de foguete tóxico, vão chegar à Terra entre 18h41 e 21h05, no horário de Greenwich.

Devido às constantes mudanças na atmosfera superior, que é fortemente influenciada pela atividade solar, a hora exata e o local do retorno da sonda são desconhecidos.

O local do acidente pode ser em qualquer lugar ao longo de uma órbita elíptica, a partir de uma latitude de 51.4 graus norte- aproximadamente ao norte até Londres - para 51,4 graus ao sul, na região da Argentina.

A sonda de US$ 165 milhões, projetada para recuperar amostras de solo da lua marciana Phobos, seria a primeira missão bem-sucedida interplanetária da Rússia em mais de duas décadas. Mas durante o lançamento com problemas em 8 de novembro, a sonda ficou presa em órbita, e desde então, vem aos poucos perdendo altitude, devido à atração gravitacional.

Especialistas dizem que a queda de lixo espacial traz pequenos riscos. O tanque de combustível de alumínio da sonda deve pegar fogo no alto da atmosfera.

"Se alguém conseguir vê-la, será um show fabuloso. Eu não acho que há houve uma explosão de um volume tão grande de combustível na história da exploração espacial", disse Igor Marinin, editor da revista espaço Novosti Kosmonavtiki.

Entre 20 a 30 pedaços pequenos de detritos, com um peso total de 200 kg poderão atingir a Terra, informou Roskosmos, além de uma pequena carga radioativa de Cobalto-57, muito pequena para causar danos.

Um dos componentes que pode ser conservado com a queda é uma cápsula projetada especificamente para um pouso de volta na Terra em 2014, segundo informou o cientista Alexander Zakharov. "Essa é a cápsula que foi feita para trazer de volta amostras de Phobos. É decepcionante", disse Zakharov.

Phobos-Grunt foi um dos cinco lançamentos russos com problemas no ano passado, que marcou comemorações do 50º aniversário do pioneiro Yuri Gagarin, que fez o primeiro vôo espacial.

Em uma aparente tentativa de eximir-se de culpa, o chefe a agência espacial da Rússia insinuou haver uma sabotagem estrangeira na missão.

"Eu não quero culpar ninguém, mas existem meios muito poderosos para interferir com a nave espacial de hoje, cuja utilização não pode ser descartada", disse Vladimir Popovkin ao jornal Izvestia.

De acordo com uma convenção da ONU, a Rússia poderá ser obrigada a pagar indenização pelos danos causados por escombros em queda.

Em 1981, a União Soviética pagou 3 milhões de dólares ao Canadá para a limpeza de detritos radioativos.

(Edição de Andrew Roche)

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