Contra crise, Berlusconi decide taxar a indústria pornô italiana

Projeto prevê que tributação seja de 25%; integrantes da indústria da pornografia reagem contra governo

EFE

29 de novembro de 2008 | 09h54

A Itália vai aplicar um imposto específico sobre todos os materiais e manifestações artísticas relacionados à pornografia, medida com a qual o Executivo comandado pelo conservador Silvio Berlusconi pretende fazer frente à crise econômica. A tributação que as autoridades italianas aplicarão sobre as produções pornográficas no país será de 25% e está prevista no pacote anticrise anunciado ontem após uma reunião do gabinete de ministros italianos. O novo imposto, que nunca chegou a ser aplicado, foi proposto pela primeira vez em 2002, por Vittorio Emanuele Falsita, então deputado do partido Forza Itália, fundado por Berlusconi em 1994. No artigo 31 do plano anticrise, o Governo Berlusconi define o que se entende por pornografia. Porém, nos próximos dois meses, o Executivo deverá baixar um decreto estabelecendo os critérios para a diferenciação entre o que é e o que não é sexualmente explícito. O tributo será aplicado sobre publicações especializadas, como revistas com DVDs, e "toda obra literária, teatral e cinematográfica, audiovisual ou multimídia, também realizada ou reproduzida sobre suporte informático ou telemático, na qual estejam presentes imagens ou cenas com atos sexuais explícitos e não simulados entre adultos". Grandes nomes da área reagiram imediatamente à medida. O popular ator de filmes pornôs Rocco Siffredi, por exemplo, disse à edição deste sábado do jornal "Corriere della Sera" que o imposto dá uma mostra clara do quão moralista é o Governo italiano. "Nada será arrecadado. Só conseguirão taxar os objetos. Hoje, os DVDs já não vendem mais. O sexo está na internet (...). É uma vergonha", declarou Rocco.

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