Contra protestos, Putin oferece reformas limitadas

Vladimir Putin anunciou nesta quinta-feira pequenas concessões à oposição, abrindo mão de um pouco do seu controle político sobre a Rússia, mas insinuou que os manifestantes que saíram às ruas nos últimos dias foram pagos para protestar.

TIMOTHY HERITAGE E STEVE GUTTERMAN, REUTERS

15 de dezembro de 2011 | 17h41

Durante quatro horas e meia, com transmissão pela TV, o primeiro-ministro respondeu a perguntas feitas por populares, num evento anual que desta vez serve para que ele recupere sua imagem e se fortaleça para a disputa presidencial de março, apresentando-se como um líder nacional equilibrado, razoável e capaz de unir o povo.

Mas, pelo Twitter, muitos russos sugeriram que o primeiro-ministro, de 59 anos, se mostrou alheio à população.

Rompendo o seu silêncio a respeito das manifestações que mobilizaram dezenas de milhares de russos no último sábado, num protesto contra supostas fraudes na eleição parlamentar do começo do mês, Putin fez elogios à capacidade de mobilização popular, mas também lançou suspeitas contra os manifestantes.

"Vi gente na TV ... a maioria jovens, ativos e com posições que eles expressaram claramente", disse Putin. "Isso me deixa feliz, e se esse é o resultado do regime de Putin, que bom - não há nada de ruim nisso."

Mas então ele disparou: "Eles pelo menos vão ganhar algum dinheiro", afirmou, sem dizer quem estaria pagando os manifestantes.

No passado, Putin - que trabalhou como espião na época soviética - acusou os EUA de estimularem protestos contra sua figura, e governos estrangeiros de patrociná-los.

Fitas brancas se tornaram o símbolo da atual campanha contra Putin, que disse ter inicialmente confundido os laços com preservativos, achando que fossem parte de uma campanha antiAids.

Logo surgiu na internet uma montagem fotográfica em que Putin aparece com um preservativo no peito, no lugar de uma medalha.

De terno e gravata, atrás de uma mesa grande, Putin respondeu perguntas feitas por telefone, por uma plateia e eventualmente por videoconferência. Parecia menos à vontade do que em anos anteriores.

Acenando com a possibilidade de mudanças num sistema político rigidamente controlado por ele, Putin sugeriu que a legislação seja alterada para permitir o registro de pequenos partidos oposicionistas.

Um dos principais atos de Putin após assumir o poder, em 1999, foi destituir os governadores regionais eleitos diretamente, substituindo-os por representantes nomeados pelo Kremlin. Isso, segundo ele, evitaria o risco de dissolução no maior país do mundo.

Putin sugeriu em reinstaurar as eleições diretas, mas só depois de o presidente aprovar os candidatos propostos pelos partidos - uma ideia que dificilmente terá o apoio da oposição. "Podemos avançar nessa direção", afirmou.

Ele não deu sinais de que irá ceder à principal exigência da oposição, que é a repetição da eleição parlamentar deste mês. A oposição diz que houve fraudes generalizadas em favor do partido governista Rússia Unida, que mesmo assim viu sua bancada ser reduzida de 315 para 238 deputados.

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