Controverso e exibicionista, Berlusconi é eleito premiê da Itália

Primeiro-ministro eleito é um dos homens mais ricos do país, com uma fortuna estimada em US$ 12 bilhões

BBC,

15 de abril de 2008 | 18h31

Se controvérsia e exibicionismo pudessem ser calculados do mesmo jeito, Silvio Berlusconi iria estar no topo da lista. Ele foi eleito primeiro-ministro da Itália pela terceira vez, vencendo seu rival de centro-esquerda Walter Veltroni -, dois anos após sair do poder em abril de 2006. Berlusconi também construiu um império no setor de propaganda, seguros, alimentação e construção, além de ser dono do clube de futebol mais famoso da Itália - o Milan.  Veja também:Berlusconi vence eleição que reduz Parlamento italiano a 5 partidos Berlusconi já admitiu ter feito cirurgia plástica e negou diversas acusações de corrupção. De fato, é esse seu envolvimento em todas as partes da vida dos italianos que provoca críticas e irrita os rivais. Para alguns italianos, o sucesso de Berlusconi nos negócios é uma evidência de suas capacidades - e razão pela qual deve dirigir o país. Para outros, ele é melhor nos seus negócios que na política. A companhia de investimentos de Berlusconi controla as três maiores estações de televisão da Itália e, quando está no poder, domina também as duas TVs públicas. Seus oponentes reclamam que os eleitores do país não conseguem escapar da cobertura favorável na mídia sobre o premiê eleito. Volta Mais controversas ainda são as investigações sobre os negócios de Berlusconi. Ele foi investigado pelo menos em seis ocasiões por diversas acusações de corrupção. O premiê eleito sempre negou todas e nunca foi condenado. Um inquérito por fraude foi suspenso em fevereiro para permitir que Berlusconi pudesse se focar em sua campanha. Em novembro de 2006, um julgamento foi adiado após Berlusconi ter um enfarte durante uma reunião do partido. Foi necessária uma cirurgia para implantar um marca-passo no premiê eleito. Na ocasião, ele disse que precisava ter mais calma. Um anos depois, porém, anunciou a criação de um partido de centro-direita, o Povo da Liberdade (PDL), para incorporar o Forza Italia e a Aliança Nacional de Gianfranco Fini. Agora, aos 71 anos, Berlusconi anuncia uma nova volta como primeiro-ministro. 'Insubstituível' Os comentários sobre sua idade, no entanto, feitos durante a campanha, diziam que isto poderia frear as ambições de Berlusconi. "Aqueles que pensam que eu sou muito velho para dirigir um país moderno podem estar certos", disse. Durante um comício eleitoral, revelou que seu partido havia lhe persuadido a concorrer novamente. "Para mim, governar realmente é carregar uma cruz, mas isso foi decidido. Não há ninguém que possa tomar meu cargo, eles me consideram insubstituível". Devido às cirurgias plásticas e implante capilar, o premiê eleito apareceu mais jovem nos últimos anos. Empreendedor Berlusconi nasceu em 29 de setembro de 1936, em Milão, honrando seus dotes para os negócios desde cedo. Ele usava seu charme para vender tudo para funcionários da limpeza de uma universidade durante a juventude, atividades que eram complementadas por economias que ganhava como cantor romântico em clubes noturnos e cruzeiros. Em 1961, se graduou como advogado e começou sua carreira nos negócios, tomando empréstimos em um banco onde seu pai trabalhava. Com isso, montou sua primeira empresa, a Edilnord. Com esta companhia, no setor de construção, Berlusconi se estabeleceu como construtor de casas em Milão. Não obstante, 10 anos, depois criou uma emissora de TV local a cabo - Telemilano -, num projeto que depois resultaria no maior império midiático da Itália, a Mediaset. Enquanto acumulava emissoras, editoras (Mondadori) e um jornal diário (Il Giornale), outra empresa de Berlusconi, a Fininvest, colocou outras quase 150 companhias sob seu comando. Política Em 1993, o premiê eleito fundou seu próprio partido, Forza Italia, nome que depois se tornou um grito de guerra entre os fãs do clube Milan. Em 1994, Berlusconi se tornou primeiro-ministro, formando uma coalizão com os direitistas da Aliança Nacional e Liga Norte. Mas a rivalidade entre os três líderes levou a um colapso no governo sete meses depois.  Em 1996, ele perdeu a eleição para o esquerdista Romano Prodi. Como sempre, não se desanimou com a derrota e passou os sete meses seguintes reorganizando seu partido. Voltou ao poder em 2001, numa coalizão com seus ex-parceiros. 

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