Conversa sobre laços Rússia-Cuba poderia ser alerta aos EUA

Os governos de Cuba e da Rússiatrouxeram à tona lembranças sobre sua aliança da época daGuerra Fria ao darem declarações recentemente sobre retomar oslaços "tradicionais", em declarações que, segundoespecialistas, serviriam de alerta para o antigo adversáriodeles, os Estados Unidos. A Rússia, um dos maiores aliados econômicos e militares deCuba, deu sinais de que poderia retomar sua presença militar nailha caribenha como forma de resposta às ações dosnorte-americanos no Leste Europeu, incluindo os planos sobre umsistema de defesa antimíssil. "A Rússia, claramente, está irritada com o que consideraser a ingerência dos EUA em sua vizinhança", afirmou PhilPeters, um especialista em questões cubanas no InstitutoLexington, na Virgínia. "Eles parecem estar enviando a mensagem de que, se vocêsbrincam na nossa periferia, nós vamos brincar na sua." O fantasma das relações entre Cuba e Rússia ressurgiu nomês passado com a notícia de que a Rússia poderia usar Cubacomo base de reabastecimento para seus bombardeiros capazes decarregar armas nucleares. O Ministério de Defesa da Rússia,mais tarde, negou essas informações. Uma ação do tipo cruzaria uma "linha vermelha", disse umgeneral da Aeronáutica norte-americana, adotando um palavreadosemelhante ao usado durante a crise dos mísseis em Cuba, em1962, quando os EUA e a Rússia (então União Soviética) quaseentraram em guerra devido às bases de mísseis soviéticoscolocadas na ilha, que fica a 144 quilômetros da Flórida. Igor Sechin, vice-primeiro-ministro russo, dirigiu-se aHavana neste mês em uma viagem descrita como de finseconômicos. Ao lado dele, estava o secretário do Conselho deSegurança russo, general Nikolai Patrushev. Sechin reuniu-secom o presidente cubano, Raúl Castro. O Conselho de Segurança, que comanda a política desegurança nacional da Rússia, disse em um comunicadosubsequente que os dois países pretendiam "realizar um esforçoconsistente com vistas a retomar as relações tradicionais emtodas as áreas de cooperação". O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou, maistarde: "Precisamos restabelecer nossas posições em Cuba e emoutros países". Analistas dizem, porém, que as chances são maiores de aRússia ampliar o comércio com Cuba do que de ampliar acooperação militar. "Não se pode imaginar que algum membro do governo cubanoqueira colocar o país deles na mira de um outro embate entresuperpotências como o ocorrido na crise dos mísseis", afirmouBrian Latell, ex-analista da CIA (agência de inteligência dosEUA) e hoje professor da Universidade de Miami.

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