Corte da Itália mantém decisão que relaciona tumor ao uso de celular

O supremo tribunal da Itália manteve uma decisão que afirma haver uma ligação entre o tumor no cérebro de um executivo e o uso excessivo do telefone celular, abrindo a porta para mais reivindicações legais.

Reuters

19 de outubro de 2012 | 14h11

A decisão do tribunal vem de encontro com boa parte da opinião científica, que geralmente argumenta que não há provas suficientes para estabelecer uma ligação entre o uso de telefone celular e doenças como o câncer, e alguns especialistas disseram que a decisão italiana não deve ser usada para tirar conclusões mais amplas sobre o assunto.

"Todo cuidado é pouco antes de tirar conclusões precipitadas sobre telefones celulares e tumores cerebrais", afirmou Malcolm Sperrin, diretor de física médica e engenharia clínica no Royal Berkshire Hospital da Grã-Bretanha.

O caso italiano envolvia o diretor empresarial Innocenzo Marcolini, que desenvolveu um tumor no lado esquerdo de sua cabeça depois de usar seu telefone celular por 5 a 6 horas por dia durante 12 anos. Ele normalmente segurava o telefone com a mão esquerda, enquanto fazia anotações com a mão direita.

Marcolini desenvolveu um chamado neurinoma afetando um nervo craniano, que aparentemente não era canceroso, mas mesmo assim exigia uma cirurgia, que afetou sua qualidade de vida.

Inicialmente, ele buscou uma indenização financeira da Autoridade de Indenização dos Trabalhadores Italianos (INAIL), que rejeitou o pedido, alegando não haver prova de que sua doença tinha sido causada pelo trabalho.

Mas um tribunal de Brescia posteriormente determinou que havia uma ligação de causalidade entre o uso de telefones celulares e sem fio e tumores.

O supremo tribunal da Itália rejeitou um recurso da INAIL contra essa decisão em 12 de outubro, embora só tenha divulgado sua decisão nesta sexta-feira.

Segundo o tribunal, a decisão da corte inferior era justificada e a evidência científica apresentada em apoio à reivindicação era confiável. A situação de Marcolini tinha sido "diferente do uso normal e não profissional de um telefone celular", disse.

A prova foi baseada em estudos realizados entre 2005 e 2009 por um grupo liderado por Lennart Hardell, especialista em câncer do Hospital Universitário de Orebro, na Suécia. O tribunal disse que a pesquisa era independente e "ao contrário de alguns outros, não foi cofinanciado pelas mesmas empresas que produzem telefones celulares".

(Reportagem de Virginia Alimenti)

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