Corte italiana autoriza pai a deixar filha morrer

A Suprema Corte da Itália autorizou um pai a desconectar o tubo de alimentação que mantém sua filha viva há 16 anos, removendo a última barreira legal em um caso de "direito de morrer" que dividiu o país. Eluana Englaro, que tem agora 37 anos, está em estado vegetativo em um hospital no norte da Itália desde um acidente de carro em 1992. Seu pai, Beppino Englaro, tem lutado nos tribunais italianos procurando um fim para a vida de sua filha há mais de 10 anos. A corte de cassação, em um veredicto divulgado nesta quinta-feira, rejeitou uma apelação que classifica com inadmissível um decreto de um tribunal de menor instância que também havia autorizado --pela primeira vez na Itália, que é predominantemente católica-- a remoção do tubo. O Vaticano, que havia condenado o primeiro decreto como favorável à eutanásia, não comentou o assunto na quinta-feira. A eutanásia é ilegal na Itália. Ativistas pró-eutanásia aclamaram o veredicto como algo histórico, mas líderes políticos ficaram divididos sobre o caso, com vários parlamentares católicos criticando a decisão. "A corte de cassação está autorizando o primeiro assassinato pelo Estado", disse Luca Volonte, da união dos democratas cristãos. O tribunal de Milão disse que foi provado que o coma de Englaro era irreversível e que antes do acidente ela havia declarado que preferia morrer do que ser mantida viva artificialmente. O caso Englaro foi comparado ao da norte-americana Terri Schiavo, que passou 15 anos em um estado vegetativo persistente e recebeu a autorização para morrer depois de uma longa batalha judicial. (Reportagem adicional de Virginia Alimenti)

REUTERS

13 de novembro de 2008 | 17h10

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