Crise belga se aprofunda após fracasso de negociação da coalizão

A incerteza política na Bélgica seaprofundou neste sábado quando o aspirante ao cargo deprimeiro-ministro Yves Leterme abandonou esforços para formarum governo de centro-direita composto por quatro partidos apóso fracasso de uma maratona de negociações. Os cristãos-democratas flamengos, os liberais flamengos esuas contrapartes de língua francesa têm negociado durante 174dias desde as eleições gerais de junho, mas parecem terfracassado no objetivo central de conceder mais poder àsregiões. Leterme havia estipulado o meio-dia de sábado como prazofinal para que os quatro partidos assinassem uma proposta dereforma do Estado, mas não houve consenso em torno do documentoe o líder foi ao rei Albert pedir dispensa da tarefa de formarum novo governo. "O rei aceitou esse pedido", afirmou o palácio emcomunicado. O futuro político da Bélgica está agora incerto, sem umaalternativa de coalizão óbvia, alimentando especulações de umapossível dissolução do Estado federativo linguisticamentedividido. Conversas sobre a possibilidade de o país de 177 anos sedividir em regiões francesa e holandesa têm incomodado o setorprodutivo, que argumenta que o impasse começará a afastarinvestidores estrangeiros potenciais e já estaria prejudicandoa disciplina fiscal. Analistas políticos acham que o país permanecerá unidoapesar das pressões crescentes, em parte por causa dasdificuldades relacionadas à separação das instituições e dadivisão da pesada dívida pública. O futuro de Bruxelas, uma região separada dentro deFlandres que é oficilamente bilíngue, mas tem uma maioria deidioma francês, também teria de ser definido. A maioria dos belgas apóia a unidade, ainda que, entre apopulação de língula holandesa esse apoio tem se reduzido.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.