Crise de uso de verbas na Ingleterra atinge mais duas deputadas

Jornal divulgou que Margaret Moran gastou 22,5 mil libras para tratar madeira podre em sua casa de praia

Reuters

28 de maio de 2009 | 12h51

Duas deputadas britânicas afirmaram nesta quinta-feira, 28, que desistiram de participar das próximas eleições após detalhes de seu gastos com verbas públicas terem sido publicados.

 

Margaret Moran, do partido trabalhista, decidiu deixar o parlamento após o jornal Daily Telegraph divulgar gastos de 22,5 mil libras para tratar madeiras podres em sua casa de praia, a 160 quilômetros de seu distrito eleitoral. Moran disse que ela não havia burlado as regras e foi má informada pelo escritório financeiro do parlamento.

 

"A compreensível reação do público sobre o tema causou-me grande estresse e piorou significativamente meu atual problema de saúde", disse Moran em um comunicado. "Entretanto, é importante esclarecer que acredito não ter feito nada de errado ou desonesto em relação aos meus gastos e que atuei o tempo todo sob aconselhamento do escritório financeiro do parlamento", afirmou.

 

A deputada conservadora Julie Kirkbride, que também desistiu de participar das próximas eleições, estava sob pressão após o Telegraph ter descoberto que ela usou dinheiro público em uma ampliação de seu apartamento para que seu irmão pudesse morar lá e ajudá-la a cuidar de seu filho.

 

Kirkbride já enfrentava questionamentos desde que o jornal informou que seu marido, o deputado conservador Andrew MacKay, alegou "despesas em segunda residência" para gastos realizados em duas casas diferentes. MacKay anunciou no sábado, 23, que renunciaria após o líder do partido David Cameron o ter chamado para discutir sua posição.

 

Outro membro do parlamento que enfrenta constrangimentos é John Butterfill, após o Telegraph ter divulgado que ele não pagou taxas sobre ganho de capital pela venda de uma casa de 600 mil libras declarada como sua segunda residência. Butterfill também havia informado que um apartamento de 56 mil libras em sua região de Bournemouth West era sua residência principal, mas o jornal revelou que ele havia declarado ao fisco como sua residência principal uma mansão de 1,2 milhões de libras recentemente vendida.

 

Enquanto mais revelações sobre despesas aparecem e os partidos se enfrentam para encontrar soluções e reformar o sistema político, o líder liberal-democrata Nick Clegg disse que os membros do parlamento deveriam desistir de suas férias de verão até que a crise esteja resolvida.

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