Crise econômica francesa favorece candidata da extrema direita

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, está encenando uma volta às pesquisas de opinião a menos de 100 dias da eleição presidencial, em cima de uma onda de descontentamento econômico que põe em risco as chances de reeleição do presidente Nicolas Sarkozy.

NICHOLAS VINOCUR, REUTERS

20 de janeiro de 2012 | 11h54

Com o aumento do desemprego e a perda da nota de crédito triplo-A da França manchando o histórico presidencial de Sarkozy, os institutos de pesquisa dizem que a marca Le Pen de retórica antieuropeia está ganhando terreno entre um vasto leque de eleitores descontentes.

Na quinta-feira, uma pesquisa diária de intenção de votos realizada pelo instituto Ifop deu a ela 21 por cento de apoio no primeiro turno da eleição de dois turnos, prevista para abril e maio, apenas 2 pontos percentuais atrás do chefe de Estado francês, um político conservador.

Analistas dizem que a pesquisa se encaixa em uma tendência mais ampla de apoio crescente a Marine Le Pen e suas ideias que enfraquece tanto Sarkozy quanto seu rival socialista, François Hollande, o líder nas pesquisas.

Uma derrota de um presidente no primeiro turno seria inédita na história da Quinta República da França, fundada em 1958.

"Hoje não podemos dizer com certeza se François Hollande ou Nicolas Sarkozy estarão qualificados no primeiro turno", disse o analista Jean-Daniel Levy, da agência de pesquisas Harris Interactive.

"O mais surpreendente é que nunca vimos esse nível de apoio elevado para um candidato da extrema-direita a três meses da eleição presidencial", acrescentou.

Marine Le Pen, que mantém uma terceira posição forte, atrás de Hollande e Sarkozy, tem feito um esforço para ganhar o respeito dos franceses desde que assumiu a liderança da Frente Nacional no lugar de seu pai, Jean-Marie Le Pen.

Mudando o foco estreito sobre a imigração, Marine reapresentou a Frente Nacional como uma protetora da soberania francesa, pronta para abandonar o euro e fechar as fronteiras francesas à competição estrangeira.

A onda de fechamento de empresas aumentou o apoio para sua ideia de "protecionismo inteligente" entre os eleitores desencantados da classe operária. A suíça Petroplus foi a última a levantar o espectro de fechamento, anunciando nesta sexta-feira que estava tentando vender sua refinaria em Petit-Couronne, no norte da França.

"Obviamente, são as políticas ultraliberais defendidas por todos os candidatos presidenciais, com exceção de mim mesma, que estão por trás do fechamento de todas essas fábricas", disse Marine à rádio RMC, referindo-se aos dois principais candidatos.

O pesquisador Jérome Fourquet do Ifop disse que a volta de Marine Le Pen depois de uma queda nas pesquisas no final de 2011 refletia o desapontamento com o desempenho de Sarkozy na questão do desemprego, com a falta de trabalho atingindo o nível mais alto em 12 anos e a ansiedade no país após o rebaixamento da dívida francesa para AA+ pela Standard & Poor's na sexta-feira passada.

"Má notícia na frente econômica claramente enfraquece o presidente em exercício, que disse que diminuiria o desemprego para 5 por cento até o final de seu mandato", disse. "Tudo isso dá a Marine Le Pen novos argumentos para criticar os erros do presidente."

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