Crise energética se agrava e Ucrânia reduz fornecimento de eletricidade para Crimeia

A Ucrânia reduziu o fornecimento de energia elétrica aos consumidores da Crimeia nesta quarta-feira e ameaçou cortar a energia completamente se as cotas de consumo da região forem ultrapassadas, num momento em que o país atravessa uma crise energética que ameaça provocar apagões.

REUTERS

03 de setembro de 2014 | 12h54

O governo ucraniano declarou estado de emergência no mercado da eletricidade depois que meses de confrontos entre rebeldes pró-Rússia e forças ucranianas prejudicaram a entrega de suprimentos para as usinas termelétricas, que fornecem cerca de 40 por cento da eletricidade da Ucrânia.

A crise de energia, bem como uma queda prevista no fornecimento de gás da Rússia, significa que a Ucrânia enfrentará um inverno que o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk disse que será "extremamente difícil".

A península da Crimeia, que depende da Ucrânia para cerca de 80 por cento de sua energia, foi ocupada pela Rússia em março - uma anexação que a Ucrânia se recusa a aceitar.

Mas a empresa estatal de eletricidade Ukrinterenergo afirmou que o abastecimento dos cidadãos ucranianos agora têm precedência sobre os fluxos para os moradores da península da Crimeia, na primeira vez que as autoridades indicaram uma mudança de status para a península.

"A prioridade para a Ukrinterenergo é o interesse dos cidadãos ucranianos para os quais a conservação de energia está se tornando uma questão urgente", disse a empresa em comunicado.

"Se os limites não são respeitados pelos consumidores da Crimeia, a empresa será forçada a desligar completamente as linhas de abastecimento para a península."

Ele disse que os fluxos seriam limitados a 300 megawatts (MW) de manhã e à noite, 500 MW durante o dia e 600 MW à noite. O consumo médio na Crimeia geralmente é de 1.000 MW, de acordo com a Ukrinterenergo.

O Ministério de Energia da Rússia disse que os fluxos para a Crimeia não tinham caído na quarta-feira. Moscou enviou geradores móveis para a península, os quais podem fornecer suporte de energia de até 700 MW por dia para uso em caso de falta de energia, afirmou o primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov.

A mineração de carvão térmico, usado para geração de energia, está centrada nas regiões orientais da Ucrânia onde os combates entre os rebeldes pró-Rússia e forças ucranianas destruíram infraestrutura e interromperam redes de abastecimento.

Em agosto, o sindicato dos mineiros disse que metade das minas de carvão na Ucrânia, o segundo maior produtor de carvão da Europa, havia interrompido a produção.

(Reportagem adicional de Anastasia Lyrchikova)

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