Crise política pode chegar a 2020, diz analista

Em 2017, Grã-Bretanha enfrentará o fantasma de outra consulta popular: ‘Brexit’, o plebiscito sobre a saída da União Europeia

EDIMBURGO, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 16h46

A crise política causada na Grã-Bretanha pelo risco de independência da Escócia é apenas uma das etapas de um quadro de instabilidade política prolongada que o conservador David Cameron ou o trabalhista Ed Miliband provavelmente terão de enfrentar até o final da década.

O prognóstico foi feito pelo cientista político Patrick Dunleavy, do Departamento de Governança da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres, e inclui até a chance de realização de novo plebiscito na Escócia.

Segundo um estudo publicado pelo acadêmico na sexta-feira, nos próximos seis anos a vitória de Miliband com um governo de maioria pode ser o único dentre quatro cenários que estancariam o risco de crise política em Londres. Na hipótese de que os trabalhistas cheguem ao poder, mas sem maioria, a perspectiva mais plausível seria a convocação de uma nova eleição geral para o Parlamento entre 2016 e 2017, para tentar mais uma vez a formação de uma maioria em Westminster.

Os cenários de maior instabilidade, diz Dunleavy, seriam relacionados à hipótese de reeleição dos conservadores em maio de 2015, seja com Cameron ou o atual prefeito de Londres, Boris Johnson, já considerado favorito por alguns setores do partido. Caso qualquer um dos dois seja nomeado premiê em 2015, o plebiscito sobre a manutenção da Grã-Bretanha na União Europeia terá de ser realizado até 2017 - honrando a palavra empenhada por Cameron.

Diante de uma opinião pública cada vez mais eurocética que já garante 10% dos votos para o movimento de extrema direita Partido para a Independência do Reino Unido (Ukip), de Nigel Farage, radicalmente contra Bruxelas, as chances de "sim" à saída da UE seriam maiores que as de permanência.

Nesse cenário, diz Dunleavy, seria coerente que até 2018 um novo plebiscito na Escócia, país pró-Europa, venha a ser convocado para mais uma vez deliberar sobre a independência do país - então com ainda maiores chances de vitória do "sim" do que a consulta de quinta-feira. "Em meio a uma grande possibilidade de crise econômica, um efeito imediato muito concreto seria a reabertura da questão da independência da Escócia." / A.N.

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