Crise provoca fechamento de um terço das lojas no centro de Atenas

A profunda recessão da Grécia forçou quase um terço dos empresários do distrito comercial da capital a fechar suas portas, enquanto rendimentos menores e as greves frequentes afastam os atenienses do local.

Reuters

24 de setembro de 2012 | 16h36

Dezenas de milhares de pequenos negócios, que formam uma grande parcela da economia grega, fecharam desde que a Grécia obteve um pacote de socorro financeiro de 110 bilhões de euros em 2010 em troca da promessa de cumprir duras medidas de austeridade.

Nas ruas comerciais para pedestres da capital, várias lojas permanecem fechadas, enquanto outras ostentam placas nas janelas com "Liquida Tudo". Algumas galerias, antes bastante movimentadas, estão vazias com os prédios às moscas.

No "triângulo comercial" da cidade, onde gerações de comerciantes mantinham negócios rentáveis nas proximidades da Praça Syntagma, um censo feito em agosto pelo grupo lobista ESEE verificou que 31 por cento das lojas haviam fechado.

Isso representa um aumento de 13 por cento em relação a agosto de 2010, apenas alguns meses depois de o governo garantir o primeiro de dois pacotes de socorro internacional de vários bilhões de euros.

As medidas de austeridade e os violentos protestos de rua contra o aumento nos impostos e o corte dos salários lançaram uma sombra sobre os comércios de pequeno porte da cidade. Só as manifestações lhes custaram quatro horas de trabalho por dia, disseram as associações comerciais.

"Não há sinal de que essa porcentagem cairá e isso é muito preocupante", disse o presidente do ESEE, Vassilis Korkidis, estimando que cerca de 63 mil comerciantes gregos estão sob risco de fechar seus negócios dentro do próximo ano.

Ele afirmou que 68 mil negócios na Grécia fecharam suas portas desde o início de 2011. A maior parte dos fechamentos foi provocada pelos altos aluguéis e por uma queda no poder de compra dos consumidores em razão dos cortes dos salários e pensões.

"Será um inverno muito difícil, talvez o mais duro dos últimos três anos", disse Korkidis à Reuters. "Muitos negócios não conseguirão sobreviver."

Embora o comércio tenha desacelerado na cidade, isso fica menos evidente nos subúrbios mais ricos, onde dois dos maiores shoppings da capital ainda atraem consumidores.

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