Crise sanitária provoca novos confrontos na Itália

União Européia ameaça aplicação de multas caso governo italiano não solucione o problema com o lixo

Efe,

08 de janeiro de 2008 | 08h18

A decisão das autoridades italianas de reabrir um aterro sanitário próximo à cidade de Nápoles, no sudoeste do Itália, para enfrentar a crise gerada por toneladas de lixo que não foram recolhidas provocou na noite de segunda-feira, 7, novos conflitos entre os manifestantes e a Polícia. Várias pessoas ficaram feridas e uma foi detida após horas de confrontos, durante as quais dois ônibus foram incendiados e agentes foram apedrejados. A situação amanheceu está calma, mas o clima de tensão prevalece na cidade, já que os manifestantes mantêm algumas ruas bloqueadas, principalmente as que levam ao lixão, informou a imprensa local. O motivo dos protestos é o lixão de Pisani, próximo ao bairro napolitano de Pianura, que após 40 anos de serviço fechou em 1996, mas que as autoridades decidiram reabrir para enfrentar a emergência provocada pelo acúmulo de lixo na província de Nápoles e em toda a região de Campânia. O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, deve se reunir nesta terça-feira com vários ministros, como aconteceu na segunda, para procurar uma solução para a crise do lixo, que foi classificada de "tragédia" pelo presidente da República, Giorgio Napolitano.  O problema do lixo em Campânia não é novidade e se repete há mais de 13 anos, devido à falta de lixões e estações de tratamento de resíduos. Nas ruas de Nápoles há cerca de 5.200 toneladas de lixo acumulado. Em toda a região da Campânia, o acúmulo pode chegar a 110 mil toneladas, de acordo com a imprensa local. Após uma semana de tensão e conflitos com a polícia, os agentes receberam ordens de se retirar das imediações do lixão de Pisani na tarde de segunda-feira, o que foi comemorado pelos moradores com gritos de "vitória". Pouco tempo depois, o comissário nomeado pelo governo para lidar com a situação de emergência, Umberto Cimmino, confirmou que o lixão é o lugar eleito para enfrentar a crise. Após o anúncio, os manifestantes voltaram a agir e entraram em conflito com a polícia. O bairro de Pianura foi isolado pelos bloqueios de ruas com contêineres de lixo e veículos. Alguns grupos queimaram dois ônibus públicos e usaram uma pá mecânica com a qual tentaram derrubar um muro. Embora a maior parte dos manifestantes seja pacífica, existem grupos violentos que se infiltraram nos protestos e que, como denunciou esta semana o ministro da Justiça, Clemente Mastella, são movidos por interesses da Camorra, a máfia local.  Constrangimento O assunto está causando um grande constrangimento para o governo do primeiro-ministro Romano Prodi, que acaba de retornar das férias. A União Européia alertou o governo do país que aplicará multas caso a Itália não resolva o problema nesta semana. Segundo a BBC, as escolas ficaram fechadas e reabriram sob ordens do governo, mas apenas alguns estudantes compareceram. Para encontrar uma solução para a crise, o governo terá que enfrentar a máfia. A Camorra, a versão napolitana da máfia italiana, transformou o lixo em um negócio altamente lucrativo. A Camorra sabotou todas as tentativas de construção de incineradores mais modernos. Com isso, Nápoles depende de depósitos de lixo. Milhões de toneladas de lixo doméstico e industrial, altamente tóxicos, foram jogados ilegalmente no mar ou na área rural. E os médicos afirmam que os números de casos de câncer em Nápoles são bem mais altos do que a média nacional.

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