Crítica entre políticos ameaça manter hino espanhol sem versos

As novas letras propostas para o hino daEspanha "são uma droga", disse um político, e os atletas dopaís podem ter que continuar a cantar "lá lá lá" no topo dospódios. O hino espanhol, a "Marcha Real", tem sido tocada sem letradesde 1978, quando os versos aprovados pelo ditador FranciscoFranco foram descartados. Desde então, os atletas do país admitem a inveja que sentemde adversários estrangeiros com algo a cantar nos eventosesportivos. Alguns até acompanham o hino cantarolando "lá lá lálá". Mas as novas letras divulgadas nesta sexta-feira,selecionadas em competição organizada pelo Comitê OlímpicoEspanhol, foram ridicularizadas por parlamentares, que têm apalavra final sobre os símbolos oficiais. "Elas são uma droga", disparou Gaspar Llamazares, líder dopequeno partido Esquerda Unida. Para ele, os versos lembram aera de Franco, quando os símbolos nacionais da Espanha, como abandeira, se tornaram associadas à direita política. O hino proposto, que se aprovado seria tocado tanto emeventos cívicos quanto esportivos, evita referências apolêmicas como religião e usa um tom ameno para falar daEspanha, "de seus verdes vales até seu imenso mar". Mas suas primeiras palavras, "vida longa à Espanha!", soamautoritárias para muitos na esquerda e não devem agradarseparatistas do País Basco e da Catalunha. O porta-voz no parlamento Espanhol do partido separatistacatalão Esquerra, Joan Tarda, evitou comentar a proposta, masdisse que é razoável que a Espanha tenha um hino com versos. "Como a nossa nação, a Catalunha, que tem um hino", disseem referência ao hino Els Segadors, que clama por "uma beloataque com foices" aos invasores espanhóis. Nem mesmo a direita se mostrou muito entusiasmada com osversos. Mariano Rajoy, líder do Partido Popular, de oposição,preferiu não comentar as propostas. O autor da letra é Paulino Cubero, desempregado de 52 anosque vive em La Mancha e se descreveu como um "perdedor" ementrevista coletiva em Madri. "Quis escrever um hino para as pessoas normais, pessoas quetomam o metrô no caminho para o trabalho."

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