Críticas e protestos marcam eleição de presidente russo

O candidato governista Dmitry Medvedevvenceu com facilidade as eleições presidenciais realizadas naRússia, mas críticas vindas do Ocidente e alguns protestos derua eclipsaram parte do brilho de sua vitória. Medvedev, um advogado de 42 anos de idade, prometeucontinuar com as políticas de seu mentor, o presidente VladimirPutin, após ter conquistado mais de 70 por cento dos votos nopleito de domingo, durante um processo que, segundo opositores,não contou com qualquer tipo real de disputa. Pequenos grupos de manifestantes foram às ruas de Moscou ede São Petersburgo para protestarem. No entanto, a maior partedos russos não parecia preocupada com o resultado, que algunsesperamos deles, garantirá o prosseguimento do boom econômicoverificado durante o governo Putin. Em Moscou, havia menos manifestantes nas ruas do que ospoucos milhares de ativistas pró-Kremlin que realizaram umapasseata pacífica até a Embaixada dos EUA gritando palavras deordem em favor de Putin e slogans da campanha de Medvedev. Os governos do Ocidente evitaram, em sua maioria, criticardiretamente o pleito, preferindo destacar sua disposição paracooperar com Medvedev e sua esperança de que o novo dirigenterespeite a democracia e a liberdade, respeito esse que teriasido corroído durante a permanência de Putin no comando daRússia. "Os EUA desejam trabalhar com ele", afirmou GordonJohndroe, porta-voz da Casa Branca. "É do interesse mútuo dosEUA e da Rússia trabalharmos juntos nas áreas de interessecomum como a não-proliferação de armas, o combate ao terrorismoe a luta contra os crimes internacionais." Quando tomar posse no dia 7 de maio, Medvedev será o lídermais jovem da Rússia desde o czar Nicolau 2o e o terceiropresidente do país desde o colapso da União Soviética, em 1991. Putin, um ex-agente da KGB que é de longe o político maispopular da Rússia, disse que ocupará o cargo deprimeiro-ministro durante o governo de seu pupilo. Esse arranjo inaugura uma era de comando a quatro mãos emum país acostumado há muito tempo com ter um único líder forte. "Acho que ela (a minha Presidência) será uma continuaçãodireta", disse Medvedev, referindo-se aos oito anos de mandatode Putin -- um período marcado pela concentração de poder e poruma postura de desafio ao Ocidente nas questões de políticainternacional. Medvedev passou a maior parte de sua carreira à sombra doatual presidente. O novo líder russo não realizou uma campanhamuito intensa e fez poucos discursos longos, deixando osanalistas sem saber em qual medida poderia divergir de seumentor uma vez que estiver no Kremlin. Andreas Gross, chefe da única missão de monitoramento doOcidente presente na Rússia, afirmou a repórteres que oresultado do pleito refletia, em larga medida, o desejo doeleitorado. Mas observou que "não houve liberdade" na votaçãode domingo. O Golos, um órgão de observadores independentes da Rússia,afirmou que a eleição pautara-se por pressões do governo paraelevar o comparecimento aos locais de votação, por casos depreenchimento artificial das urnas e por casos de votaçãomúltipla -- acusações prontamente rechaçadas pela ComissãoCentral Eleitoral (CEC). "O novo sistema político da Rússia nascido em 1989encontra-se agora em estado de degradação e viu-se atirado devolta aos tempos da União Soviética", disse Andrei Buzin, doGolos. O chefe da CEC, Vladimir Churov, um antigo colega deuniversidade de Putin, disse que ninguém tinha conseguidoapresentar provas convincentes sobre quaisquer violações gravese ridicularizou os apelos por mais transparência. "O que eu deveria fazer? Eu deveria obrigar os funcionáriosda CEC a trabalharem nus?", perguntou. (Reportagem adicional de Christian Lowe, Guy Faulconbridge,Conor Sweeney, Chris Baldwin e Maria Golovnina)

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