Crítico de Putin, Khodorkovsky deixa prisão após indulto presidencial

Mikhail Khodorkovsky, que já foi o homem mais rico da Rússia, deixou a prisão nesta sexta-feira devido a um indulto do presidente Vladimir Putin, após passar uma década preso por uma condenação vista por muitos como uma punição ao ex-magnata do petróleo por ter desafiado o Kremlin.

TATYANA MAKEYEVA, Reuters

20 de dezembro de 2013 | 11h32

O advogado dele e uma autoridade carcerária disseram que Khodorkovsky estava livre, um dia após Putin ter anunciado de forma inesperada que libertaria um de seus maiores críticos. Uma fonte do governo disse que a medida responde as críticas sobre a situação dos direitos humanos na Rússia, que vai receber em fevereiro os Jogos Olímpicos de Inverno.

"Ele deixou o campo (de detenção). Isso é tudo que posso dizer", disse à Reuters o advogado Vadim Klyuvgant, por telefone. Uma autoridade carcerária confirmou a informação, também por telefone.

Jornalistas que foram para o lado de fora da prisão na floresta perto do Ártico, no entanto, não viram Khodorkovsky.

Putin surpreendeu a Rússia na quinta-feira ao anunciar que libertaria o empresário, de 50 anos, porque a mãe dele está doente. Investidores disseram que a medida pode aliviar as preocupações sobre o uso político dos tribunais pelo Kremlin.

Em um decreto presidencial assinado nesta sexta, Putin disse que a decisão de conceder o indulto a Khodorkovsky foi "guiada pelos princípios da humanidade".

Khodorkovsky tornou-se a representação do que críticos dizem ser o mau uso contínuo pelo Kremlin do sistema judicial, restringindo o Estado de Direito, e de sua recusa em permitir a dissidência.

As autoridades negam, dizendo que os juízes são independentes e que Putin não reprime os adversários. O presidente, no entanto, fez ataques pessoais a Khodorkovsky no passado e ignorou muitos pedidos por sua libertação.

Khodorkovsky estava detido desde outubro de 2003. Apoiadores dizem que ele foi preso como parte de uma campanha do Kremlin para puni-lo por desafiar Putin politicamente, e para tomar o controle de seus ativos de petróleo e alertar outros magnatas a andar na linha.

O barão do petróleo se desentendeu com Putin antes de sua prisão, à medida que o presidente cortou as asas de ricos "oligarcas" que se tornaram poderosos durante os anos caóticos do governo de Boris Yeltsin após o colapso do comunismo soviético.

A Yukos, empresa de Khodorkovsky, foi dividida e vendida, principalmente para as mãos do Estado, após sua prisão em uma pista de aeroporto na Sibéria por acusações de fraude e sonegação de impostos.

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