Críticos de Putin fazem carreata para exigir eleições justas

Críticos do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fizeram uma carreata no centro de Moscou no domingo, com fitas brancas amarradas aos seus carros, um símbolo do movimento de protesto russo, numa manifestação sobre rodas, para exigir eleições justas.

ALISSA DE CARBONNEL, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 13h18

Líderes da oposição estão tentando manter a motivação e o ritmo, depois que dezenas de milhares de pessoas furiosas diante de alegações de fraude eleitoral e do plano de Putin de voltar ao Kremlin durante a eleição de março, compareceram, no mês passado, às maiores manifestações de protesto durante os seus 12 anos de governo.

"Isso tem um significado simbólico importante. Chegamos ao ponto em que não queremos mais ser vassalos", disse Ilya Ponomaryov, ativista da oposição, que deu carona no seu carro roxo, à pessoas que portavam fitas brancas.

Os organizadores disseram que a manifestação também visava anunciar as marchas de protesto marcadas para sábado que vem, exatamente um mês antes da eleição presidencial, no dia 4 de março.

"Queremos mostrar a nossa união. Isso é muito visível. Esse é um trabalho preparatório para o dia 4 de fevereiro, quando haverá ainda mais gente na Avenida Sakharov", disse Ponomaryov, se referindo ao local da manifestação de 24 de dezembro que reunião dezenas de milhares de manifestantes.

As pesquisas indicaram que Putin vai retomar a presidência, estendendo o seu governo por, pelo menos, mais seis anos. Ele foi presidente de 2002 a 2008 e acredita-se que tem segurado as rédeas da Rússia para o seu protegido, o presidente Dmitry Medvedev.

Alguns motoristas usaram fitas plásticas, usadas em construções, papel de impressora, sacolas de supermercado e até mesmo renda branca, enquanto dirigiam pela rua Garden Ring, em Moscou. Os organizadores disseram que mais de 3.000 motoristas participaram do protesto, enquanto a polícia disse que foram cerca de 300.

No frio de menos 15º C, muitos pedestres aplaudiam ou acenavam lenços brancos das calçadas, em solidariedade. Um veículo carregava uma figura de palha, em tamanho natural com uma foto do rosto de Putin presa no capuz.

Carros são um forte símbolo, não só de status, mas de liberdade pessoal e do direito de escolha na Rússia, um país onde até mesmo ser dono de um pequeno automóvel russo Lada era um luxo durante a era do comunismo.

Os protestos provocados pelas suspeitas de fraude generalizada, a favor do partido governante, de Putin, durante as eleições parlamentares de 4 de dezembro, mostraram a decepção dos russos.

Principalmente os moradores da classe média da cidade sentem que não têm voz ativa na política e que a decisão de Putin de voltar ao Kremlin foi imposta a eles.

"Temos que lutar pelos nossos direitos... Precisamos mostrar nossa força para que, talvez, as pessoas nos vejam e venham ao protesto do dia 4 de fevereiro", disse Nadezhda, de 26 anos, que trabalha para uma emissora de TV estatal. Nadezhda, que preferiu não dizer seu sobrenome, disse que a sua estação havia dito aos funcionários para não participarem dos protestos de domingo.

"Eu me sinto traído pelo voto", disse Yevgeny Starshov, de 23 anos, um estudante de uma faculdade de administração pública, sobre as eleições parlamentares. "Temos que fazer algo para mudar o país para melhor, não através de tumultos ou de uma revolução, mas com manifestações pacíficas como esta, para lutar por eleições mais justas."

Milhares de partidários de Putin fizeram uma manifestação no sábado, em Yekaterinburg, a quarta maior cidade da Rússia, para apoiar a sua eleição.

Tudo o que sabemos sobre:
RUSSIACRITICOSELEICOES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.