Cronologia do caso Jean Charles de Menezes, morto em 2005

Comissão divulga relatório sobre a morte do brasileiro; veja os principais acontecimentos dos últimos dois anos

Efe,

02 de agosto de 2007 | 19h21

A apresentação de um relatório que identifica "graves deficiências" na atuação da Scotland Yard na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes é um novo capítulo no intrincado caso da morte do brasileiro, em 2005.  Veja também:Chefe de polícia é inocentado Relatório confirma falhas graves Família critica investigação da Scotland Yard Scotland Yard se desculpa pelos "erros"  Jean Charles, de 27 anos, foi assassinado por policiais londrinos que o confundiram com um terrorista. A seguir, as principais etapas do "caso Jean Charles": 2005 22/07 - Agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard matam a tiros um homem na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres; O comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, diz que a ação está "diretamente relacionada" à operação para prender terroristas por uma tentativa frustrada de ataque terrorista na véspera;  23/07 - A Scotland Yard admite que o homem que foi baleado no metrô era inocente e o identifica como Jean Charles de Menezes, um eletricista brasileiro de 27 anos. A polícia justifica o erro dizendo que Jean Charles agiu de maneira suspeita, pois teria pulado a catraca do metrô e resistido a uma ordem para parar; A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, em inglês) anuncia que investigará o incidente; 24/07 - Ian Blair pede desculpas pela morte de Jean Charles e diz que aceita sua total responsabilidade pelo incidente, mas defende a tática de "atirar para matar" em casos de terroristas; 16/08 - A rede de televisão britânica "ITV" divulga documentos vazados da IPCC. Segundo as informações, Jean Charles não agiu de maneira suspeita no metrô: entrou caminhando normalmente, validou o bilhete e pegou um exemplar de um jornal gratuito, antes de entrar no vagão onde foi atingido por tiros dos agentes; Além disso, de acordo com os documentos, Jean Charles usava uma jaqueta leve, e não uma acolchoada, como tinha afirmado a polícia; 21/08 - Em entrevista exclusiva para o tablóide sensacionalista News of the World, Ian Blair diz que só soube que seus agentes tinham disparado contra um inocente 24 horas depois do incidente; 27/09 - Os pais de Jean Charles de Menezes, Matozinhos Otone da Silva e Maria Otone de Menezes, chegam ao Reino Unido para pedir justiça pela morte do filho; 12/10 - A família de Jean Charles apresenta uma queixa formal por causa da divulgação de informação equivocada sobre o caso, horas depois do incidente. A polícia havia afirmado que Jean Charles estava fugindo e que agia de forma suspeita; 28/11 - A IPCC anuncia que também investigaria Ian Blair, em resposta à queixa oficial apresentada pela família Menezes, que acusou o comissário de "enganá-los"; 2006 19/01 - A IPCC envia à promotoria britânica seu primeiro relatório sobre a morte de Jean Charles de Menezes/ 30/01 - Ian Blair admite que foi "um grave erro" não corrigir imediatamente as informações falsas divulgadas sobre o brasileiro;  17/07 - A promotoria anuncia sua decisão de processar a Scotland Yard com base na Lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974, mas não apresenta acusações contra nenhum policial; 19/09 - A Scotland Yard se declara inocente em relação às acusações apresentadas contra a instituição policial em relação à morte do brasileiro; 5/12 - Os familiares de Jean Charles pedem a revisão judicial da decisão da promotoria. Afirmam que não processar nenhum policial viola os direitos humanos; 14/12 - A Justiça britânica rejeita o pedido de revisão; 2007 11/5 - A IPCC anuncia que 11 policiais envolvidos na morte do brasileiro não serão punidos, mas não se pronuncia a respeito de outros quatro que ocupam nível mais alto na hierarquia e também estiveram envolvidos; 14/6 - A família de Jean Charles de Menezes perde a batalha legal para acelerar o início da investigação sobre a morte do brasileiro;  2/8 - A segunda investigação sobre a morte de Jean Charles, realizada pela IPCC, conclui que a Scotland Yard cometeu "graves erros" no caso, mas poupa Ian Blair. Os parentes do brasileiro o responsabilizavam por não terem tido "quase nenhuma informação" sobre os detalhes da tragédia; A IPCC afirma, ainda, que o subcomissário encarregado das operações especiais da Scotland Yard e chefe de contraterrorismo da polícia britânica, Andy Hayman, "mentiu" à opinião pública, por não informar a tempo a seus superiores, entre eles Blair, que um inocente havia sido morto.

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