Cruz Vermelha abre para público arquivos do Holocausto

Após 60 anos sendo consultadas apenas por funcionários, as 50 milhões de páginas são liberadas para público

AP

30 de abril de 2008 | 19h02

Foram abertas formalmente as portas para visitantes, nesta quarta-feira, 30, de um vasto arquivo dos registros de um campo de concentração, detalhando os horrores nazistas e outros documentos de tempos de guerra na Alemanha. Inauguração aconteceu mais de seis décadas depois de ser fundado para fornecer informações sobre vítimas do Holocausto.   "Nós estamos indo para uma nova página na história do ITS", disse Reto Meister, diretor do International Tracing Service (Serviço Internacional de Busca, ITS) da Cruz Vermelha. "Essa inauguração vai contribuir para manter viva a lembrança dos crimes monstruosos que ocorreram durante a era nazista."   Por mais de 60 anos, as informações estiveram trancadas em um arquivo secreto, que abriga registros encontrados pelas tropas aliadas em campos de concentração e com oficiais da SS nazista, além de arquivos dispersos conseguidos após a guerra.   Administrado pela Cruz Vermelha desde a década de 1950, o arquivo foi usado exclusivamente por sua equipe para responder a perguntas sobre pessoas desaparecidas ou para pesquisas de pagamentos de indenizações de guerra. Sobreviventes, parentes e pesquisadores de história não tinham acesso direto aos documentos e tinham que confiar em meras respostas as suas perguntas.   A decisão de abrir o acervo veio depois que os 11 países que o supervisionam assinaram um acordo em novembro que liberou suas 50 milhões de páginas.   Embora os volumes estejam abertos ao público agora, visitantes terão que marcar hora para a consulta, disse a porta-voz do ITS, Kathrin Flor.   "Ele serve para reforçar a memória das vidas dos perseguidos e assassinados", disse Hans Bernhard Beus, o secretário de estado no ministério do Interior da Alemanha.   No último agosto, o ITS começou o processo de cópia dos arquivos dos 26 quilômetros de arcas que enchem cerca de meia dúzia de prédios em Bad Arolsen. Eles mandaram as informações para o memorial Yad Vashem em Jerusalém, para o Museu do Memorial do Holocausto em Washington e Varsóvia e para o Instituto Nacional da Lembrança na Polônia.   "Não há dúvidas de que uma boa parte do público poderá agora entender o valor dos documentos históricos de Bad Arolsen", disse Christine Beerli, vice-presidente da Cruz Vermelha.

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