Curdos ameaçam invadir Turquia devido a plano de ataque

Rebeldes separatistas afirmam que querem atravessar fronteira para atacar policiais e políticos turcos

Ferit Demir, da Reuters,

12 de outubro de 2007 | 20h02

Rebeldes separatistas curdos disseram nesta sexta-feira, 12, que pretendem atravessar a fronteira turca para atacar políticos e a polícia, depois que Ancara anunciou planos de um ataque ao encrave rebelde nas montanhas do norte do Iraque. Conforme as tensões regionais se acirravam, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan advertiu que as relações entre Ancara e Washington poderiam piorar, depois que uma resolução do Congresso dos Estados Unidos declarou que os massacres dos armênios pelos turcos otomanos, de 1915, foram um genocídio. Washington vem expressando preocupação com a possibilidade de uma incursão militar turca contra rebeldes curdos que querem formar um país no leste da Turquia. Autoridades norte-americanas temem que a ação militar poderá desestabilizar uma área relativamente pacífica do Iraque. Ancara convocou seu embaixador nos Estados Unidos para uma consulta depois da votação do Congresso norte-americano, que foi severamente condenada pela Turquia, país predominantemente muçulmano, mas com um governo secular. "Não precisamos do conselho de ninguém sobre o norte do Iraque, e a operação será realizada naquela região", disse Erdogan em um animado comício em Istambul, depois de afirmar que os Estados Unidos "vieram de dezenas de milhares de quilômetros de distância e atacaram o Iraque sem pedir a permissão de ninguém". Uma declaração do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PTC) poderá aumentar a pressão doméstica sobre Ancara para que lance uma grande ofensiva. Washington teme que a ação tenha ramificações na região. Os Estados Unidos dependem de suas bases na Turquia para enviar suprimentos para a guerra no Iraque. Erdogan disse que seu governo está preparado para receber críticas internacionais caso lance o ataque contra os cerca de 3.000 rebeldes do PTC, que usam o norte do Iraque como base para seus ataques contra a Turquia. Ancara afirma que o PTC é responsável pelas mortes de mais de 30 mil pessoas desde o início da luta armada, em 1984, pela separação e criação de um Estado curdo no sudeste da Turquia. Alguns analistas dizem que a ofensiva se tornou mais provável depois da aprovação da declaração de genocídio turco pelo Comitê de Assuntos Estrangeiros, na quarta-feira. As relações com Washington estavam funcionando, até então, como um freio para a Turquia. A Turquia nega o genocídio, mas reconhece que muitos morreram nos combates interétnicos. A questão continua delicada, mas muitos turcos começaram a discutir mais abertamente os tabus do passado. O ministro da Defesa do Iraque, Abdul-Qadir Mohammed Jasim, realizou negociações com o embaixador da Turquia em Bagdá na sexta-feira, a fim de buscar meios de melhorar as relações bilaterais no combate ao terrorismo. Erdogan disse que a Turquia respeita a unidade do Iraque, mas se o país vizinho não fizer nada para deter o PTC, considerada uma organização terrorista por Washington, Ancara e a União Européia, então Ancara teria que agir. Analistas e diplomatas puseram em dúvida os supostos planos dos rebeldes do PTC de sair de seu encrave no Iraque para entrar na Turquia, onde dezenas de milhares de soldados fortemente armados estão posicionados. "Os grupos guerrilheiros não vão se movimentar para o sul (da Turquia); pelo contrário, se movimentarão para áreas do norte", disse o PTC em nota publicada pela agência de notícias Firat.

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