De olho em mudanças penais, prisioneiros do ETA dizem reconhecer Justiça espanhola

Integrantes presos do grupo separatista basco ETA disseram no sábado que reconhecem o sistema de Justiça criminal da Espanha e admitiram a dor causada por quatro décadas de violência, em um movimento simbólico que pode reforçar o processo de paz.

Reuters

28 de dezembro de 2013 | 17h44

Os prisioneiros do ETA têm argumentado que são presos políticos e há tempos rejeitam os termos de sua prisão.

Essa mudança pode permitir que alguns dos prisioneiros ganhem liberdade antecipada ou negociem outras exigências e abre a porta para outras concessões possíveis por parte do grupo enfraquecido, que anunciou um cessar-fogo em 2011.

"Reconhecemos, com toda a sinceridade, o sofrimento e os danos causados a todos os envolvidos", disseram representantes do EPPK - organização de presos políticos bascos, que inclui os prisioneiros do ETA - em comunicado enviado ao jornal espanhol Gara.

"Assumimos total responsabilidade pelas consequências das nossas atividades políticas", afirmaram na nota, escrita em basco e traduzida para o espanhol pelo Gara.

Cerca de 600 membros do ETA estão presos na Espanha.

O ETA - ou Euskadi Ta Askatasuna, que significa Pátria Basca e Liberdade em basco - existe desde o final da década de 1950 e matou mais de 800 pessoas em mais de quatro décadas, muitos com carros-bomba.

Há uma crescente especulação de que o grupo, devastado por centenas de prisões e pouco apoio político e social no País Basco, pode estar pronto para anunciar um desarmamento completo até o final do ano, embora o ETA não tenha dito isso em declarações anteriores.

Prisioneiros do ETA também lutaram por muito tempo para cumprir suas penas em prisões do País Basco, um processo que pode ser iniciado, se os condenados estiverem prontos a acatar os termos do sistema de justiça penal espanhol.

A questão dos prisioneiros do ETA ainda é um assunto muito sensível na Espanha. Uma sentença do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, de outubro, libertando 60 prisioneiros do ETA provocou indignação entre os espanhóis.

(Reportagem de Rodrigo de Miguel)

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