De Sarkozy, franceses querem dinheiro, não amor

O presidente da França, Nicolas Sarkozy,deveria gastar menos energia ostentando sua vida amorosa aolado da ex-modelo Carla Bruni e mais energia com colocardinheiro no bolso dos franceses --ou ao menos essa é a opiniãode muitos dos moradores do país europeu. Vários franceses esperavam que Sarkozy usasse os discursosdo Ano Novo para anunciar novas medidas capazes de aumentar opoder de compra dos cidadãos comuns, atualmente em queda devidoao aumento dos preços dos alimentos, do petróleo e da moradia. Em vez disso, a mídia dedicou manchetes e fotos a Sarkozy eBruni, mostrando os dois na praia em trajes de banho ouespeculando sobre se o casal oficializaria a união. "É algo escandaloso ficar exibindo a vida particular delepara todo mundo. Isso é revoltante", disse a aposentadaBrigitte Dupond, que procurava por promoções na loja dedepartamentos Galeries Lafayette, em Paris, durante o primeirodia das vendas de inverno. "Por que ele precisa levar a namorada para essas fériaspomposas? Ele faz isso para tirar atenção dos verdadeirosproblemas." Dupond afirmou precisar de uma nova capa de chuva, mas queo produto estava caro demais em vista do orçamento familiaragora mais curto --atingido pelo preço de 100 dólares do barrilde petróleo, pelo aumento de 4 por cento da gasolina desdejaneiro e pela elevação constante do custo dos alimentos deprimeira necessidade. O índice de preços para o consumidor aumentou 2,6 por centonos 12 meses contados até novembro, segundo dados oficiais. "Até o cinema ficou mais caro", afirmou Dupond. As opiniões dela sobre Sarkozy e Bruni encontram eco nasruas. "O que importa isso para a gente? A vida particular dele étotalmente secundária. A França não está bem das pernas",afirmou Beatrice Daviau, que acaba de encontrar um emprego naindústria da moda após ficar desempregada durante algum tempo. Sarkozy, que prometeu ser o presidente do "poder decompra", realizou na terça-feira uma entrevista coletiva deduas horas. Nela, repetiu que a França precisa "trabalhar maispara ganhar mais", conclamou o país a romper com o passado erespondeu a perguntas sobre Bruni. A respeito do poder de compra, o dirigente conclamou asempresas do país a dividirem seus lucros com os empregados, masnão divulgou nenhuma nova medida, respondendo às críticas daseguinte forma: "Reduzir o debate político à única questão dopoder de compra é algo absurdo". (Reportagem de Anna Willard)

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