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'Defender a terra natal era sua razão de viver', diz mãe de policial francês morto em atentado

Coronel Arnaud Beltrame se ofereceu como refém ao sequestrador; pelo menos duas prisões já foram feitas

O Estado de S. Paulo

24 Março 2018 | 07h06
Atualizado 24 Março 2018 | 07h21

A mãe do policial francês Arnaud Beltrame, que foi morto depois de ter se entregado como refém durante um ataque extremista em um supermercado na França, disse que não ficou surpresa com a coragem de seu filho no atentado ocorrido nesta sexta-feira, 23.

O Coronel Arnaud Beltrame se ofereceu desarmado a um sequestrador de 25 anos, que dizia agir em nome do Estado Islâmico, em troca de uma mulher como refém na cidade de Trebes, no sul do país. O atentado ainda acabou com outros três mortos, antes que o terrorista fosse abatido pelos policiais.

A mãe de Beltrame disse à rádio RTL, na noite desta sexta-feira, 23, ainda antes do anúncio de sua morte, que "sabia que tinha que ser ele. Ele sempre foi assim. É alguém, desde que nasceu, que dá tudo pela sua terra natal" Perguntada se ela estava orgulhosa dele, ela revelou que ele teria dito a ela: "Estou fazendo meu trabalho, mãe, só isso." Ela ainda disse que "defender a terra natal era sua razão de viver". A RTL preservou seu nome.  Seu irmão, Cedric Beltrame, disse que seu Arnaud "deu a vida por estranhos".

Cedric acrescentou que seu irmão “estava bem ciente de que ele quase não tinha chance. Ele estava muito consciente do que estava fazendo". Cedric também enfatizou que seu irmão manteve seus reflexos profissionais. O policial conseguiu sair discretamente de seu celular ligado para que a polícia, do lado de fora, pudesse ouvir o que estava acontecendo dentro do supermercado.

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“Se nós não o descrevermos como um herói, eu não sei o que você precisa fazer para ser um herói. É uma palavra que acho apropriada para ele em circunstâncias tão trágicas", finalizou o irmão do policial. 

O extremista foi identificado como Redouane Lakdim, de 25 anos e nascido em Marrocos. O sequestro começou no final da manhã e levou a uma jornada mortal que acabou 3h30 depois. Além dos quatro mortos, outras 16 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave.

Suspeitos presos. Já na manhã deste sábado, 24, Paris confirmou que a polícia deteve um jovem de 17 anos em conexão com a investigação do ataque extremista. O jovem foi preso durante à noite por alegada associação criminosa a um empreendimento terrorista. Ele é amigo do atirador e sua identidade não foi confirmada.

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O promotor de Paris, François Molins, também disse que outra pessoa, uma mulher próxima a Lakdim, foi presa pelos mesmos motivos. Molins também não a identificou. Investigadores antiterroristas de Paris já assumiram o caso do ataque em Trebes e nas proximidades de Carcassonne./AP e EFE

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