Defesa afirma que Karadzic não será extraditado nesta segunda

Justiça diz que ainda não recebeu apelação; advogado tenta atrasar envio de ex-líder servo-bósnio para Haia

Agências internacionais,

28 de julho de 2008 | 11h37

O advogado do acusado de crimes de guerra Radovan Karadzic, Svetozar Vujacic, excluiu a possibilidade de que seu cliente seja extraditado nesta segunda-feira, 28, ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia. Segundo a CNN, a Corte sérvia afirmou que ainda não recebeu a apelação do pedido de extradição enviado pela defesa do líder servo-bósnio.   Veja também: Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   "É incontestável que Karadzic será extraditado ao tribunal de Haia, mas, neste momento, não se sabe quando", disse Vujacic, que recorreu da decisão do juiz de instrução sérvio sobre a entrega de seu cliente à Justiça internacional no último dia de prazo legal previsto. O documento foi enviado pelo correio, sem previsão do tempo que deve a Belgrado, onde será avaliado.   "Segundo uma prática habitual dos tribunais, se espera cinco dias para que chegue a apelação", disse o advogado à imprensa, após visitar seu cliente em uma prisão em Belgrado. "Karadzic é um cidadão servo-bósnio, então é lógico que a apelação foi enviada da Bósnia", disse Vujacic.   As autoridades sérvias terão um prazo de três dias para decidir sobre a apelação de Vujacic, a partir do momento em que o documento é recebido. O objetivo do advogado é adiar a extradição para que a família de Karadzic, que mora na Bósnia, possa visitá-lo na prisão em Belgrado.   Ultranacionalistas planejam um grande ato contra o governo em Belgrado na terça-feira, para protestar contra a extradição de Karadzic. O advogado do acusado afirma que a Sérvia deve tentar enviá-lo para Haia antes da manifestação. Os organizadores do protesto, liderado pelos radicais de direita do país, buscam simpatizantes por toda a Sérvia e na Bósnia. Ele é acusado de ter ordenado o massacre de 8 mil muçulmanos na cidade bósnia de Srebrenica, em 1995.   Os documentos da família de Karadzic foram confiscados em janeiro deste ano por ordem do alto representante internacional para Bósnia, Miroslav Lajcak, porque os parentes participariam da rede de ajuda para escondê-lo da Justiça internacional. No entanto, Lajcak disse na sexta-feira que não poderá devolver os documentos retirados da família até que fique garantido que, deste modo, não ajudaria a rede de apoio.

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