Victor Berzkin/AP
Victor Berzkin/AP

Defesa financeira de Putin está de fato na mira

As medidas mais recentes têm como alvo o Banco Central da Rússia, para impedi-lo de usar reservas

Greg Sargent/Washington Post, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2022 | 05h00

WASHINGTON POST - Desde que os EUA e aliados anunciaram sanções contra a Rússia, a iniciativa se deparou com uma grande incerteza: e se Vladimir Putin já se isolou dos efeitos – acumulando reservas para proteger o rublo e impondo medidas repressivas para se blindar politicamente – fazendo com que tal represália seja ineficaz?

O governo Biden anunciou mais uma rodada de sanções contra os russos que parecem ter como objetivo resolver esse problema. As apostas ficaram ainda maiores: se esse esforço funcionar, pode mostrar que a ação multilateral em defesa da ordem internacional liberal consegue produzir resultados.

As novas sanções têm como alvo o Banco Central da Rússia, para impedi-lo de usar reservas monetárias e, assim, isolar a economia russa do ataque mais amplo das sanções. Veja como funciona. Putin criou um “cofre de guerra” de US$ 630 bilhões em reservas, para manter a economia russa nos trilhos. Ele esperava conter o impacto de sanções usando essas reservas para manter o rublo estável. Mas cortar a capacidade do banco central de usar essas reservas pode inviabilizar o plano. O valor do rublo já caiu, desencadeando turbulência econômica, e agora isso pode piorar.

“Nossa estratégia é garantir que a economia russa retroceda enquanto Putin continuar avançando com a invasão”, disse um assessor de Biden. Os EUA e seus aliados souberam que o Banco Central russo está tentando recuperar reservas em dólar de vários lugares do mundo, para usá-las para sustentar a economia e o rublo. Congelar transações com o banco central e desconectá-lo do sistema financeiro global “prejudicará sua capacidade de proteger a economia russa”.

Edward Fishman, membro sênior do Atlantic Council, diz que Putin esperava usar as reservas em dólares para comprar rublos e ativos lastreados em rublos para aumentar o valor do rublo “criando demanda artificialmente”. “Ele será efetivamente impedido de usar seu cofre de guerra para conter a crise cambial.” Isso pode ter efeitos em cascata sobre toda a economia. Uma grande questão é se Putin superestimou sua capacidade de resistir ao caos econômico que as sanções devem desencadear. Mas o simples fato de que um esforço tão agressivo de sanções multilaterais tenha ocorrido já é uma reviravolta surpreendente.

*Tradução de Renato Prelorentzou

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