Democratas retiram apoio ao projeto sobre genocídio armênio

Lei perde voto de seis congressistas e coloca aprovação em risco; medida colocaria em risco guerra no Oriente

Efe e Associated Press,

17 de outubro de 2007 | 08h58

A votação no plenário da Câmara de Representantes dos Estados Unidos para aprovar uma resolução que qualifica de "genocídio" os massacres de 1915 na Armênia pode estarem perigo, já que pelo menos seis democratas retiraram seu apoio à medida. A aprovação do comitê provocou a reação da Turquia. O próprio presidente americano, George W. Bush, e os secretários de Estado e de Defesa, Condoleezza Rice, e Robert Gates, horas antes da votação, pediram a derrubada da medida.  Um dos democratas que mudaram de postura foi John Murtha, presidente da subcomissão de Dotações para a Defesa. Ele disse em comunicado que sua decisão se baseia em conversas com altos comandantes militares e especialistas em política externa. Alcee Hastings e John Tarner solicitaram à presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que retire a medida. Eles temem que uma reação da Turquia corte o acesso dos EUA à base aérea de Incirlik, "e importância crítica". "Há uma série de pessoas reconsiderando suas próprias posições", disse líder da maioria democrata na Câmara de Representantes, Steny Hoyer.  A polêmica mostra o quanto os EUA são dependentes da Turquia para suas operações no Oriente Médio. Cerca de um terço do combustível e 70% da linha de suprimentos para as missões americanas no Iraque passam pela base aérea de Incirlik, em território turco. Desde a fundação da república turca, em 1922, Turquia a Armênia não têm relações diplomáticas e a fronteira entre os dois países permanece fechada. Para os turcos, a questão é sensível. Todas as vezes que o tema é discutido, Ancara ameaça os partidários da tese do genocídio. Apesar de aliados, a relação entre Ancara e Washington não vai bem. Em setembro, a Turquia irritou a Casa Branca ao fechar um acordo com o Irã para a construção de um gasoduto de US$ 3 bilhões. A proximidade do governo turco com o Hamas também causou indignação, tanto dos EUA quanto de Israel. Em janeiro, o premiê Recep Erdogan foi o primeiro chefe de Estado a convidar representantes do recém-eleito governo palestino para uma visita oficial à Turquia. Na comitiva palestina estava o chefe da ala terrorista do grupo, Khaled Meshaal. Além disso, Yassin al-Kadi, que segundo os EUA é um dos financiadores da Al-Qaeda, fez doações para campanhas do AK, partido de Erdogan. Analistas dizem que os turcos perderam, assim, boa parte do lobby dos judeus americanos e se distanciaram mais ainda dos americanos.

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