Depois de prefeitura, brasileira quer vaga no Parlamento suiço

Há três décadas no país europeu, Beatriz de Candolle concorre a cargo nacional nas eleições de domingo

Jamil Chade, do Estadão,

19 de outubro de 2007 | 19h40

Sem carro oficial, segurança ou qualquer outra regalia. Assim é a vida da prefeita da cidade de Chêne-Bourg, Beatriz de Candolle, uma carioca de 57 anos que concorre a um lugar no Parlamento Federal nas eleições gerais da Suíça neste domingo, 21. "A Suíça não é mais o país do chocolate, dos milionários e do ouro. Aqui também há problemas sociais e, eu diria, até pobreza", disse a prefeita, do Partido Liberal.   Beatriz chegou à Suíça com apenas 16 anos para estudar. Acabou ficando, se casou com um suíço e teve três filhos. Desde 1995 participa da política local e, agora, quer passar para a esfera federal. Sua plataforma: a garantia de proteção à educação, família e meio ambiente.   Ela faz questão, porém, de mostrar que ser político na Suíça não é uma profissão. "A carreira política no país não tem qualquer comparação com a atividade no Brasil. Não ganhamos salários. Apenas uma compensação por dedicar nosso tempo aos assuntos públicos. Além disso, o valor da compensação é baixo para não criar nenhum incentivo financeiro para que alguém queira ser político profissional", explica.   Em três décadas no país, Beatriz conta que viu uma Suíça em transformação social. "O país mudou muito nos últimos anos. Antes podíamos sempre deixar o carro e a porta de casa aberta. Hoje já não podemos nem pensar em fazer isso", queixa-se a prefeita da cidade de 7,8 mil habitantes, que conta com um orçamento anual de US$ 17 milhões. "Antes, as cidades eram mais limpas e havia respeito entre as pessoas", diz.   Beatriz prefere evitar entrar na polêmica causada pelas acusações de racismo na campanha do partido de extrema direita, o SVP. O partido gerou uma indignação até da ONU ao colocar pelas cidades suíças um cartaz com ovelhas brancas expulsando do país uma ovelha negra. A prefeita brasileira, porém, apóia a decisão de seu partido de não entrar no debate. "Somos pela liberdade de expressão e até um tribunal já declarou que os cartazes não eram racistas. A expressão ovelha negra existe", disse.   Para ela, o que o SVP fez foi uma grande jogada de marketing. "Conseguiram que todos falassem sobre eles", avalia. "A Suíça sempre teve nos partidos pessoas com posições extremas", diz Beatriz. Ela ainda garante que nunca sofreu discriminação por ser brasileira. "Nunca tive problemas por ser estrangeiras", afirmou, lembrando que não teria chegado a ser eleita prefeita de sua cidade se essa fosse a realidade.   Ela ainda acredita que a Suíça precisaria criar acordos para poder extraditar pessoas. "Há gente boa de todas as nacionalidades. Mas o problema é que não conseguimos mandar de volta os delinqüentes a seus países", completa.

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