Depois de referendos no leste, Rússia pede diálogo sobre futuro da Ucrânia

A Rússia pediu ao governo interino da Ucrânia nesta segunda-feira que debata a estrutura futura do país depois que os separatistas de duas províncias do leste clamaram vitória nos referendos pela autonomia regional realizados no fim de semana.

Reuters

12 Maio 2014 | 17h15

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores russo disse que "as autoridades de Kiev continuam a mostrar uma indisposição criminosa para dialogar com o seu próprio povo" e exortou o governo a realizar reuniões com representantes do leste e do sul do país.

"Os resultados preliminares das urnas mostram de modo convincente um desejo real de parte dos cidadãos de Donetsk e Luhansk pelo direito de tomar decisões independentes sobre questões de importância vital para eles", afirmou o comunicado.

A declaração não chegou a defender a independência destas regiões ou a sua anexação à Rússia, dizendo: "Acreditamos que os resultados dos referendos deveriam ser postos em prática na forma de diálogo entre Kiev, Donetsk e Luhansk".

Moscou mobilizou tropas perto da fronteira ucraniana, despertando temores de que teria a intenção de absorver áreas do leste onde predominam falantes de russo, na esteira da anexação da península da Crimeia em março.

A Rússia nega ter tais intenções, mas alguns analistas suspeitam que o presidente russo, Vladimir Putin, queira tirar vantagem do sentimento separatista para manter a Ucrânia instável e evitar que o governo interino pró-Ocidente assuma o controle.

O Kremlin afirmou que Putin e o chefe da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Didier Burkhalter, concordaram nesta segunda-feira que o organismo deve fazer mais para fomentar o diálogo entre o governo ucraniano e os separatistas do leste.

Durante um telefonema, Putin e Burkhalter destacaram "a importância de aumentar os esforços na linha da OSCE para resolver a situação de crise, incluindo o estabelecimento de um diálogo direto entre as autoridades de Kiev e representantes das regiões do sudeste da Ucrânia", disse o Kremlin.

(Reportagem de Steve Gutterman)

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