Desafiador, Carlos, o Chacal, aguarda julgamento

Descrevendo-se como um "mártir vivo", o militante marxista Carlos, o Chacal, defendeu sua inocência na quinta-feira em um tribunal francês, aproveitando os holofotes no último dia do seu julgamento por uma série de atentados a bomba que matou 11 pessoas no começo da década de 1980.

ALEXANDRIA SAGE, REUTERS

15 de dezembro de 2011 | 21h04

Outrora o mais procurado criminoso internacional, o venezuelano - cujo nome real é Ilich Ramírez Sánchez - apresentou um monólogo de cinco horas, alternando-se entre o errático, o sarcástico e o pungente. Seu veredicto deve sair na noite de quinta-feira.

Ramírez, de 62 anos, está preso na França desde 1994, cumprindo pena de prisão perpétua por outro homicídio. Ele pareceu resignado com a provável nova condenação.

Morrer na prisão, disse ele a certa altura, "é o papel de um revolucionário".

"Estou numa prisão (...) condenado em um caso pré-decidido", disse ele à corte, elevando a voz. "Sou um mártir vivo."

No auge da sua notoriedade, o Chacal era sempre visto com boina à Che Guevara, óculos de sol e charutos cubanos, e ficou definitivamente famoso num sangrento sequestro de ministros da Opep em 1975.

Durante a Guerra Fria, ele recebia apoio do bloco soviético e de países do Oriente Médio, realizando atentados em toda a Europa durante mais de duas décadas, até ser capturado em 1994 no Sudão.

Em seis semanas de julgamento, ele se portou mais como mestre de cerimônias do que como réu: de dentro da sua jaula, conversava com os depoentes, interrompia os juízes, corrigia os advogados e eventualmente aquiescia de forma benevolente.

Ele negou envolvimento específico em quatro explosões ocorridas em 1982 e 83 numa rua de Paris, em dois trens e numa estação ferroviária de Marselha. Os promotores dizem que ele cometeu os atentados por vingança pela prisão de dois membros da sua quadrilha, inclusive a sua amante.

Como uma Sherazade moderna, Ramírez desfiava história após história, com frequência sorrindo e se mostrando saudoso dos ex-camaradas, e às vezes voltando-se ferozmente contra o sistema.

O incessante discurso abordou temas variados -vida na cadeia, a estratégia sionista, seus passaportes soviéticos, sua relação com o Estado francês, o haxixe e até a pena de morte.

Já no final do discurso, sua voz se embargou quando ele leu o que seria o último desejo do ex-líder líbio Muammar Gaddafi, derrubado e morto neste ano por rebeldes.

"Vou continuar lutando", leu ele, comovido. Cerca de doze jovens na plateia ergueram os punhos, gritando palavras de incentivo ao réu.

"Salam Alaikum" ("que a paz esteja com vocês"), concluiu Ramírez, que se converteu ao Islã na prisão, antes de erguer o punho pela última vez na direção das galerias.

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