Desanimados, sindicatos promovem protestos na França

Sindicatos franceses realizam protestos nesta terça-feira em todo o país, mas admitiram que a mobilização contra as medidas de austeridade impostas pelo governo será mais difícil pelo fato de o país estar sendo menos afetado pela crise na zona do euro do que Grécia ou Irlanda, por exemplo.

BRIAN LOVE, REUTERS

13 de dezembro de 2011 | 14h35

O vento e a chuva em grande parte do país reduziram ainda mais as chances de uma grande mobilização em quase 200 cidades, a menos de cinco meses da eleição presidencial em que o candidato de oposição, o socialista François Hollande, é o favorito contra o atual presidente, o conservador Nicolas Sarkozy.

O principal sindicato francês admitiu ter ambições limitadas no atual protesto, depois de ter sido incapaz, no ano passado, de forçar Sarkozy a rever o aumento na idade de aposentadoria.

"Temos de nos mobilizar, mas estamos plenamente conscientes do fato de que há um grau de ceticismo, dada a intransigência do chefe de Estado", disse o sindicalista Bernard Thibault, da central CGT, ao canal de TV France 2.

Ele criticou os cortes de gastos públicos da ordem de 65 bilhões de euros até o final de 2016, com os quais o governo pretende praticamente zerar o déficit público.

O Partido Socialista, de Hollande, apoiou as manifestações, dizendo que a imposição de medidas de austeridade sem um plano para estimular o crescimento é algo que fará mais mal do que bem para a França.

Sarkozy e seu governo precisam encontrar um equilíbrio nas medidas, de modo a não desagradar ao eleitorado, mas também sem deixar que os mercados virem as costas à necessidade de crédito do país.

O presidente prometeu na segunda-feira que não reduzirá salários ou pensões. Muitas das medidas incluem revogar benefícios tributários, elevar o imposto sobre o comércio (VAT) de produtos específicos e impor maior controle dos gastos públicos.

Thibault também criticou os líderes da União Europeia por adotarem, na semana passada, medidas mais rigorosas para os controles dos déficits nacionais. "As decisões que vocês estão tomando irão acelerar o caminho rumo à recessão, em termos sociais e de crescimento", afirmou.

Hollande promete que, se for eleito presidente em maio, irá renegociar o acordo europeu, alegando que ele não promove o crescimento.

(Reportagem adicional de Elizabeth Pineau)

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