Desertores do Exército sírio dizem que regime de Assad está ruindo

Desertores do Exército sírio e comandantes rebeldes baseados na Turquia disseram nesta quarta-feira que a bomba que matou militares do primeiro escalão em Damasco poderia acelerar o fim do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, prevendo mais deserções e divisões internas.

SULEIMAN AL-KHALIDI, Reuters

18 de julho de 2012 | 21h11

O brigadeiro Fayez Amr, membro sênior do grupo de desertores, disse que o ataque foi um ponto decisivo na revolta de 16 meses contra o regime de Assad.

"O regime pode agora recorrer a armas mais letais em retaliação, mas o maior perdedor será finalmente o regime. A força do regime já não importa quando se enfrenta a vontade de um povo contra os soldados que perderam a vontade de lutar e quando um soldado sabe que está lutando contra seu próprio povo. A vitória está mais perto do que nunca agora", Amr disse à Reuters.

O ministro da Defesa sírio, o cunhado de Assad e um general de alta patente foram mortos no ataque, o maior golpe ao alto comando de Assad. O ataque a bomba aconteceu durante uma reunião de crise do governo, enquanto combates eram travados nos arredores do palácio presidencial.

Ahmad Zaidan, porta-voz de um grupo opositor, disse que a explosão foi um golpe à moral do Exército, de onde a oposição estima que 50.000 de 280.000 militares desertaram.

"É o início da quebra da cadeia, o regime perdeu o controle agora e aqueles em torno de Bashar al-Assad com quem ele contava sumiram. Os fundamentos do regime foram abalados. Sobrou apenas Bashar agora", disse Zaidan.

Abdullah al-Shami, um comandante rebelde, que liderou os ataques rebeldes em Aleppo, disse que "é uma mudança qualitativa que continuará a desmoralizar qualquer um que apoie o regime."

"Espero um colapso rápido do regime ... e isso significa que precisaremos de intervenção externa com o regime começando a se desmoronar muito mais rápido do que o previsto", disse ele.

No entanto, um importante oficial da Frente para os Revolucionários Sírios, um grupo que coordena as principais brigadas rebeldes, disse que a fraqueza organizacional entre os grupos armados opositores poderia fazer com que Assad ganhasse ainda mais tempo.

"Infelizmente, se tivéssemos sido mais bem organizados, esses eventos teriam provocado um colapso imediato do regime de Assad. Mas ainda temos algum caminho a percorrer", disse ele.

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