Desesperados, gregos duvidam de plano de austeridade

Primeiro cortaram seu salário. Depois aumentaram seus impostos. E agora podem tomar seu emprego.

RENEE MALTEZOU, REUTERS

22 Setembro 2011 | 17h44

Panagiotis Pambounas sabe bem como as imposições econômicos do FMI e da UE à Grécia se traduzem na sua conta bancária e na incerteza quanto ao futuro.

"É uma tragédia", disse o gari de 46 anos, pai de três filhos, lavando a "Praça do Choro", em Atenas, onde centenas de funcionários públicos fizeram na véspera uma manifestação contra as medidas de austeridade. "Quero que esse governo vá embora, eles não conseguem lidar com a crise, eles não conseguem nos salvar."

Desde 2010, quando a endividada Grécia pediu ajuda dos seus vizinhos europeus e do Fundo Monetário Internacional, recebendo uma ajuda de 110 bilhões de dólares condicionada às medidas de austeridade, Pambounas sofreu um corte de cerca de 15 por cento no seu salário mensal, que era de 1.200 euros.

Neste ano, a renda anual da sua família irá diminuir em mais 900 euros, por causa de um imposto de renda extraordinário.

E como, a exemplo de muitos gregos, ele e a mulher têm casa própria, precisarão pagar 1.200 euros por um IPTU recém-criado pelo Ministério das Finanças para tapar um rombo de 2 bilhões de dólares no orçamento.

Recentemente, a "troika" de inspetores da UE e do FMI perdeu a paciência com a demora do governo grego em atingir as metas, e ameaçou reter a liberação da ajuda. Na quarta-feira, o governo socialista prometeu encolher o setor público e anunciou novas medidas, como cortes em aposentadorias elevadas, redução do limite de isenção do imposto de renda, prorrogação da cobrança do IPTU e demissão de 30 mil funcionários públicos.

Pambounas é um dos ameaçados. "Não quero nem pensar nisso", disse ele, olhando a praça. "Não consegui o emprego por ter contatos no governo, então por que devo perdê-lo?".

O Estado emprega quase um sexto da força de trabalho grega, cerca de 727 mil funcionários. O governo prometeu à "troika" reduzir essa cifra para 577 mil até 2015. Isso pode agravar o desemprego, que chegou no segundo trimestre a 16,3 por cento.

Os funcionários da iniciativa privada também sofrem com as medidas, e sindicatos dos setores público e privado, representando 2,5 milhões de trabalhadores, realizarão greves de 24 horas em outubro.

Analistas dizem que a Grécia não tem mais como evitar uma moratória, mas o governo -- com índices de aprovação cada vez mais baixos -- tenta convencer a população de que a austeridade será recompensada.

"Este governo precisa sair, não confiamos mais nele", disse o líder sindical Vassilis Polymeropoulos. "Pior de tudo, não tempos esperança de que ele irá nos tirar desta. A cada dois meses aparecem com novas medidas. Não podemos viver desse jeito".

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