Desiludidos, gregos chamam referendo de 'chantagem'

Gregos desiludidos criticaram o plano do primeiro-ministro George Papandreou de convocar um referendo para decidir sobre a ajuda externa ao país, e consideraram a ideia uma manobra para obter aprovação a duras medidas de austeridade.

RENEE MALTEZOU, REUTERS

01 de novembro de 2011 | 12h39

"Este referendo é um blefe. Eles estão apenas zombando de nós", disse Emanuel Papadopoulos, um gari de 50 anos.

Como muitos outros nas ruas de Atenas nesta terça-feira, Papadopoulos disse que sentiu que o governo estava tentando permanecer no poder ao buscar o apoio popular, se os gregos votarem a favor do acordo de resgate.

"Eu não pensei como vou votar. Como eu devo votar? Como se fossem eleições ou como se fosse um referendo? Qual será a pergunta (do referendo)?", disse Papadopoulos.

O primeiro-ministro Papandreou fez o anúncio surpresa do referendo na noite de segunda-feira, derrubando os mercados no mundo todo, com investidores temendo que o pacote de resgate grego possa desmoronar.

Com o alto teor de insatisfação na Grécia, após uma onda de medidas de austeridade incluindo aumento de impostos e redução de salários que desencadearam greves, analistas temem que os gregos votem contra a ajuda externa e empurrem o país ao colapso econômico.

"É um absurdo. Agora eles colocaram a bola na nossa quadra, mas decidir não é a responsabilidade deles?", disse Haris Velakoutakou, um guia turístico de 64 anos.

"O que é isso? Eles deveriam ter feito esse referendo desde o princípio, antes que todas essas medidas de austeridade fossem tomadas."

Uma pesquisa no fim de semana mostrou que quase 60 por cento dos gregos têm uma visão negativa sobre o acordo de resgate externo, sugerindo que os eleitores no possível referendo dirão "não" ao pacote de ajuda financeira.

Porém, nas ruas de Atenas, havia uma sensação de que o governo tentará convencer os gregos a apoiar o impopular resgate, advertindo-os que a outra alternativa é um colapso financeiro total.

A Grécia deve receber uma parcela de empréstimos de 8 bilhões de euros em meados de novembro, mas essa quantia deve se esgotar durante janeiro, potencialmente deixando o Estado sem fundos para pagar salários ou manter os serviços se o pacote for rejeitado.

"Ele está nos chantageando", disse Yannis Aggelou, 50, gerente de vendas em uma empresa de aço.

Ainda assim, alguns expressaram a esperança sobre o referendo.

"Foi uma boa decisão convocar um referendo. Vamos tomar nosso destino em nossas mãos. Eu quero que a gente diga 'sim'. Uero que a gente fique no euro. Voltar ao dracma seria desastroso", disse Dionísia Aggelopoulou, 74, aposentada.

"Vamos decidir se é bom ou ruim. Eu já passei por tempos piores e difíceis, guerra. Será que realmente quero voltar a esses dias?".

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