Dez anos depois, Diana ainda está nas manchetes

Uma década após sua morte, princesa ainda é citada 8 mil vezes por ano na imprensa.

Torin Douglas, BBC

31 de agosto de 2007 | 05h18

Dez anos depois da sua morte, a princesa Diana continua uma das celebridades mais constantes na imprensa, e tema de milhares de livros, jornais e revistas.   Veja também: Dez anos após morte de Diana, Windsors recuperam prestígio A morte da princesa Diana e as teorias da conspiração Amiga brasileira diz que Diana quebrou tabus da elite Diana e Dodi: Relatório revela momentos finais Trechos do documentário 'Diana: The Witnesses In The Tunnel'  Linha do tempo  Na véspera do aniversário de dez anos da sua morte, ela estampa as capas de veículos como as revistas Time, Spectator e o jornal Daily Express, periódico britânico famoso por sua obsessão com a imagem da princesa. Quase todas as semanas, o jornal desencava uma nova "testemunha", "sensação", "escândalo", "mistério" ou "conspiração" sobre o caso. Ainda existe entre os leitores do jornal um apetite insaciável por histórias e fotos sobre a princesa Diana e o acidente de carro que a matou em Paris. Mas esse não é um fenômeno restrito ao Daily Express. Uma análise dos artigos publicados em jornais e revistas britânicos dos últimos dez anos mostra que Diana ainda rende mais de 8 mil citações por ano. Já neste ano, com a inevitável volta do tema às páginas dos jornais, foram 7 mil citações, um fenômeno semelhante ao de 2002, ano do quinto aniversário da morte da princesa. Naquele ano, houve mais de 12 mil artigos citando a princesa, algo próximo dos 15 mil publicados em 1997. A televisão e o rádio continuam fascinados com ela, como ficou claro após uma recente série de programas sobre a princesa. E o fenômeno também se estende à literatura, com livros como The Diana Chronicles (As crônicas de Diana), de Tina Brown. "O apelo midiático da princesa Diana tem durado mais do que de qualquer outra personalidade pública", disse Fergus Hampton, diretor da Milward Brown Precis, uma empresa de pesquisas sobre imprensa. "Isso tem sido alimentado pela contínua especulação sobre a causa da morte dela, a busca insistente de Al-Fayed em diferentes investigações oficiais e o perfil midiático dos dois príncipes." Essas histórias ainda rendem milhares de textos. O Daily Express publicou um artigo no ano passado afirmando que os detetives estavam investigando a possibilidade de espiões britânicos terem apontado um laser nos olhos do motorista do carro, Henri Paul. As vendas daquela edição do jornal aumentaram em 30 mil exemplares, em comparação com números do ano anterior. A edição do dia seguinte teve aumento na vendagem de 9 mil exemplares. "Meu trabalho é produzir jornais que as pessoas queiram ler e eu posso dizer para você que as pessoas querem ler sobre a conspiração envolvendo Diana, porque os números me dizem que elas querem. As pessoas ficam fascinadas", disse o editor do jornal, Peter Hill, disse ao jornal britânico Independent. Não são apenas as teorias da conspiração que fazem sucesso. A personalidade, a imagem e as relações tumultuadas de Diana com a família real ajudaram a transformá-la em uma estrela internacional. A sua morte a imortalizou, fazendo com que ela permanecesse no seu auge na memória do público. A diretora da revista Hello, Sally Cartwright, disse que a tiragem das duas edições de verão da publicação teve aumento de vendas entre 15% w 20%. A revista trazia um caderno especial sobre Diana e uma história de capa sobre o concerto organizado pelos dois príncipes em homenagem à mãe. "Ninguém vendia revistas e jornais como Diana", diz ela. "Quando ela estava viva, ela podia facilmente levantar as vendas entre 20% e 50%. Ninguém desde então tem o mesmo efeito, ninguém a substituiu." Os dois príncipes e o jogador de futebol David Becham são os que mais se aproximam do fenômeno. A editora acredita que se a relação do príncipe com a namorada Kate Middleton evoluir para um casamento, a jovem tem potencial para se transformar em uma nova Diana. "Ela é bonita, charmosa e uma comum casando com alguém da família real, exatamente como Diana. Nós já vimos as vendas aumentarem quando ela aparece e se eles noivarem as vendas poderiam decolar." Os advogados de Kate Middleton já intervieram diversas vezes para protegê-la da imprensa, mais recentemente retirando-a de uma corrida de barcos beneficente, na qual ela estava atraindo muita atenção. As comparações são inevitáveis. Mas um fator fundamental na relação de Diana com a imprensa era o próprio comportamento da princesa. Os paparazzi foram inicialmente culpados pela sua morte, principalmente após o discurso crítico de Earl Spencer, irmão de Diana, durante o funeral da princesa. O então editor do jornal News of the World, Phil Hall, recentemente tornou-se o primeiro jornalista a reconhecer o papel do jornal no caso. Mas não se pode esquecer que Diana procurava ativamente a imprensa, em especial os tablóides, até mesmo naquele mês fatal antes da sua morte. Ela costumava telefonar para editores para alertá-los sobre boas oportunidades de fotografá-la. "Era uma relação simbiótica", diz Cartwright. "Ela usava a imprensa para apresentar sua versão, e nós a usávamos para vender milhões e milhões de revistas e jornais. Para ela, provou-se uma relação bastante cara." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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