Dez cidades italianas enfrentam crise financeira, diz jornal

Dez cidades italianas, incluindo Nápoles e Palermo, enfrentam problemas na gestão das suas contas, disse o jornal La Stampa nesta segunda-feira, salientando as crescentes preocupações com a sustentabilidade das finanças municipais na terceira maior economia da zona do euro.

Reuters

23 de julho de 2012 | 10h32

“'Pelo menos dez grandes cidades estão em risco', disseram especialistas governamentais não identificados ao jornal.

Na semana passada, o primeiro-ministro Mario Monti manifestou o temor de que a região autônoma da Sicília esteja prestes a declarar uma moratória.

As dificuldades orçamentárias além do âmbito do governo central são análogas à situação que ocorre na Espanha, onde a imprensa noticiou que seis autoridades regionais devem seguir o exemplo da região de Valência e solicitar ajuda financeira a Madri.

Mas, ao contrário da Espanha, os problemas financeiros de governo locais italianos não teriam um impacto imediato sobre a dívida pública nacional, que atinge 2 trilhões de euros. No entanto, a notícia deixa claro o crescente impacto da recessão sobre as finanças de todos os níveis de governo.

O La Stampa disse que uma ordem governamental para que as autoridades municipais reduzam em 25 por cento o valor declarado de certos ativos, como parte de uma revisão dos gastos públicos, revelou enormes buracos nas contas dos municípios.

Os ativos em questão incluem a arrecadação prevista de fontes como multas ou taxas de gestão do lixo - valores que costumam ser superestimados nos planos orçamentários por autoridades que sabem que será impossível recolher todo o dinheiro estimado.

A Itália está mergulhada na recessão, e o governo central está buscando formas de reduzir drasticamente seus gastos. Nesse contexto, os enormes gastos feitos por administrações locais inchadas e ineficientes, especialmente no sul do país, estão vindo à tona.

Mas as autoridades locais há muito tempo se queixam de que sucessivos cortes orçamentários privaram os municípios de repasses financeiros, sem que eles pudessem abrir mão de prestar serviços vitais.

Mesmo no próspero norte, algumas cidades estão tendo problemas. Alessandria, perto de Gênova (noroeste), declarou estado de emergência financeira no mês passado, devido a uma dívida de 100 milhões de euros.

(Reportagem de James Mackenzie)

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