Dezenas ficam feridos em confronto no Kosovo envolvendo sérvios

Mais de 50 pessoas ficaram feridas em confrontos nesta quinta-feira quando as autoridades do Kosovo deportaram um grupo de sérvios visitantes que acusaram a polícia de atirar neles, deixando um com ferimentos bastante graves.

Reuters

28 de junho de 2012 | 17h50

O grupo de cerca de 70 sérvios, na maioria jovens, viajava em dois ônibus para Gazimestan, um local religioso e histórico perto da capital Pristina, quando a polícia ordenou a sua volta, argumentando que haviam se tornado "muito agressivos, bêbados e estavam provocando tanto a polícia quanto os cidadãos".

O Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008, mas as tensões entre os 90 por cento de maioria albanesa e a pequena minoria sérvia que se recusa a aceitá-lo como um país independente persistiram, e as relações com Belgrado se mantiveram tensas.

Autoridades sérvias de saúde disseram que um sérvio teve lesões gravíssimas nos confrontos e que outras cinco pessoas foram hospitalizadas com ferimentos de bala. Um total de vinte sérvios procurou atendimento médico nas cidades de Kursumlija e Prokuplje.

A polícia de Kosovo se recusou a confirmar se tinha atirado no grupo sérvio.

Em Pristina, o presidente do Kosovo, Atifete Jahjaga, disse que as autoridades iriam parar todos esses grupos no futuro "já que eles estão seriamente violando a lei e a ordem e agravando a situação da segurança no Kosovo".

O ministro do Interior do Kosovo, Bajram Rexhepi, afirmou que os jovens sérvios tinham atirado pedras e outros objetos pesados na polícia logo após serem expulsos do território do Kosovo.

Nove oficiais de polícia do Kosovo foram tratados no hospital e mais 26 policiais sofreram ferimentos leves, acrescentou ele.

Gazimestan é um campo nos arredores de Pristina, onde os sérvios marcam o Dia de São Vitus e a Batalha do Kosovo de 1389, quando uma força sérvia cristã ortodoxa liderada pelo Czar Lazar perdeu uma batalha decisiva para turcos-otomanos muçulmanos invasores.

Ivica Dacic, o primeiro-ministro designado da Sérvia, disse que o incidente prejudicou a paz e a estabilidade no Kosovo.

"As tropas internacionais lá têm a obrigação de preservar a paz e segurança ... Todas as futuras conversações (com o Kosovo) devem se basear na preservação da segurança", afirmou Dacic a repórteres em Belgrado.

Em Gazimestan, onde a cerimônia aconteceu, a polícia revistou os ônibus e apreendeu parafernália nacionalista dos sérvios visitantes.

Gazimestan é também o lugar onde em 28 de junho de 1989 o falecido líder sérvio Slobodan Milosevic abordou centenas de milhares de sérvios em um discurso que anunciava o colapso sangrento da ex-república comunista da Iugoslávia na década de 1990.

A violência entre albaneses, sérvios e forças de paz internacionais aumentou no ano passado, depois de Pristina tentar estabelecer sua autoridade na parte norte predominantemente sérvia do país, que ainda promete fidelidade a Belgrado.

A independência do Kosovo foi reconhecida por mais de 90 países, incluindo Estados Unidos e 22 dos 27 membros da União Europeia. No entanto, a Rússia e a China, bem como a própria Sérvia, se recusaram a reconhecê-la.

(Reportagem de Fatos Bytyci e Aleksandar Vasovic)

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