Dinamarca concede asilo a centenas de iraquianos

País recebe 370 civis que trabalharam com a coalizão em que militares dinamarqueses atuaram

Agência Estado e Associated Press,

28 de janeiro de 2008 | 13h24

A Dinamarca concedeu asilo para cerca de 370 civis iraquianos que foram retirados do Iraque num programa de reassentamento para tradutores e para outros que trabalharam para as tropas dinamarquesas no país árabe, disseram nesta segunda-feira, 28, funcionários de imigração.   Nenhum dos pedidos de asilo de colaboradores iraquianos e seus dependentes foram até agora rejeitados, disse o porta-voz do Serviço de Imigração da Dinamarca, Morten Bo Laursen.   "Até agora, processamos 367 dos 376 pedidos, e todos receberam asilo", precisou. Os demais casos devem ser analisados até o fim do mês, acrescentou.   Os colaboradores iraquianos temiam ser alvo de insurgentes por terem trabalhado com a coalizão liderada pelos Estados Unidos e foram retirados do país pouco antes da saída dos 480 militares dinamarqueses que estavam baseados em Basra, sul do Iraque, em agosto. Outros membros da coalizão, notavelmente os EUA e o Reino Unido relutam em conceder asilo a colaboradores e refugiados iraquianos.   Laursen disse que a Dinamarca decidiu conceder asilo a todos os iraquianos que tiveram ligações com o contingente dinamarquês. "Isso cobre não apenas intérpretes e suas famílias, mas todos que trabalharam para as forças de coalizão dinamarquesas. Inclui também cozinheiros e motoristas", explicou.   Os civis iraquianos foram retirados do país em julho em vôos militares dinamarqueses mantidos em segredo até que estivessem na Dinamarca, por temores de que os aviões fossem alvo de militantes.   Ativistas de direitos humanos exigem que outros países sigam o exemplo da Dinamarca, e recebam iraquianos ameaçados de morte por terem colaborado com as forças da coalizão internacional.   Os EUA receberam pouco mais de 1.600 refugiados iraquianos no ano fiscal de 2007, 400 a menos do que o previsto e bem menos do que o alvo inicial de 7.000. A administração Bush prometera receber cerca de mil iraquianos por mês no ano fiscal 2008, que termina em 30 de setembro, mas as chegadas têm sido muito inferiores ao pretendido.   Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), mais de 2 milhões de iraquianos fugiram do país desde o início da invasão americana de março de 2003, a maioria tendo encontrado abrigo na Síria e Jordânia.

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