Dinamarca prende 3 por planejar ataque a chargista de Maomé

Dois tunisianos e um marriquino são detidos; cartunista teme que repercussões durem o resto da vida

Efe e Associated Press,

12 de fevereiro de 2008 | 10h58

A polícia dinamarquesa deteve três pessoas suspeitas de envolvimento num complô para matar um dos 12 cartunistas que desenharam o profeta Maomé há dois anos e meio, o que causou grande ravolta no mundo islâmico, informaram autoridades locais nesta terça-feira, 12.   As detenções ocorreram em operações realizadas durante a madrugada em Aarhus, no oeste da Dinamarca, "para evitar um assassinato ligado ao terrorismo", informou a unidade de espionagem da polícia. Autoridades dinamarquesas revelaram que dois dos três detidos eram tunisianos e um era um marroquino naturalizado dinamarquês, mas não disseram qual dos 12 cartunistas seria o alvo.   O marroquino naturalizado dinamarquês é suspeito de violar as leis de combate ao terrorismo do país. Jakob Scharf, diretor da unidade de espionagem da polícia, disse que ele deverá ser liberado depois de um interrogatório, mas as investigações prosseguirão. Os dois tunisianos serão expulsos da Dinamarca, prosseguiu ele.   O jornal dinamarquês Jyllands-Posten, primeiro a publicar as caricaturas em 30 de setembro de 2005, assegurou que o alvo do ataque era seu cartunista, Kurt Westergaard, de 73 anos. Posteriormente, as caricaturas de Maomé foram republicadas por diversos jornais no Ocidente. A publicação dos cartuns alimentou violentos protestos, alguns dos quais terminaram em morte, em diversas partes do mundo islâmico. A lei islâmica opõe-se à divulgação de imagens do profeta, sejam elas positivas ou negativas, por temer que isso leve à idolatria.   O diretor do jornal, Carsten Juste, disse na edição online do digital do Jyllands-Posten que existiam "planos muito concretos para assassinar a Kurt Westergaard". O caricaturista, de 73 anos, e sua esposa Gitte, de 66 anos, estão há meses sob proteção policial.   Juste afirmou que "a direção do 'Jyllands-Posten' acompanhou durante vários meses com grande preocupação os esforços discretos da segurança dinamarquesa e dos serviços de inteligência para proteger Kurt Westergaard contra planos concretos de assassiná-lo". "Esperamos que as detenções tenham servido para impedir estes planos", destacou o diretor do jornal.   O próprio cartunista disse, em declarações à edição online do jornal, que as forças de segurança tinham lhe informado sobre os planos que existiam contra ele, mas que, mais do que medo, sentiu "raiva" e "indignação". Além disso, manifestou seu temor de que as "doentias" repercussões de sua caricatura possam durar "o resto" de sua vida. "É triste, mas se transformou em uma circunstância da minha vida", acrescentou.

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