Dirigindo trem, Berlusconi pede que Itália trabalhe mais

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, dirigindo um trem de alta velocidade nesta terça-feira, disse que a Itália está bem posicionada para emergir da crise econômica global mas pediu que os italianos trabalhem mais.

REUTERS

24 de março de 2009 | 15h42

Berlusconi, que usou um boné de maquinista e posou para câmeras no assento de motorista do trem, disse que a crise foi originada nos Estados Unidos mas que a Itália sairia dela graças aos seus bancos saudáveis e baixos níveis de endividamento pessoais.

"Essa gripe norte-americana, este vírus veio da América, e afetou um corpo saudável... Estamos todos tentando superar isso com um pouco de aspirina", ele disse.

"Precisamos ter a vontade de agir, de ter a confiança e nos adaptarmos em, talvez, trabalhar mais."

O governo de centro-direita de Berlusconi anunciou um plano para mais vagas no setor público, incluindo a construção de uma ponte entre a Sicília e a Itália, além de incentivos para a construção e medidas de apoio aos bancos italianos.

Críticos dizem que somente uma parte do pacote de 109 bilhões de dólares é para novos gastos. Muitos economistas prevêem que a economia, com a terceira maior dívida do mundo, terá retração de mais de 3 por cento este ano, após uma década de estagnação.

Berlusconi, o segundo italiano mais rico e dono de um império midiático, tem acusado a imprensa de exagerar o tamanho da recessão e pediu que italianos continuem levando a vida normalmente.

"É mais fácil dirigir o trem de alta velocidade do que dirigir o país. Na verdade, eu não havia estado em um trem por anos", disse o bilionário, de 72 anos, que geralmente viaja em um avião do governo ou em um de seus jatos privados.

O serviço de alta velocidade liga o centro financeiro de Milão, no norte da Itália, a Roma em apenas três horas, em velocidade de até 300 quilômetros por hora. O trajeto competirá com o serviço aéreo oferecido pela ex-estatal Alitalia, privatizada em janeiro.

(Reportagem de Francesca Piscioneri e Daniel Flynn)

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