Dissidentes acham que UE deve manter política para Cuba

Posição comum não deveria ser alterada, mas sim atualizada, segundo dissidentes

Efe

23 de outubro de 2010 | 20h30

HAVANA - Membros da dissidência em Cuba concordaram neste sábado, 23, que ainda não é o momento para que a União Europeia (UE) altere sua "posição comum" para a ilha, embora achem que o bloco deva "atualizar" sua política com relação ao Governo de Raúl Castro.

 

O porta-voz da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), Elizardo Sánchez, disse à Agência Efe que não há motivos para que a UE mude sua postura, já que "a situação de direitos humanos em Cuba continua sendo a pior de todo o hemisfério ocidental".

 

Segundo Sánchez, o tema chegará à mesa dos ministros de Relações Exteriores da UE na reunião da próxima segunda-feira em Luxemburgo sem que exista "nenhum sinal de que o Governo pense em melhorar a situação", além de fazer "mudanças e gestos puramente cosméticos" para buscar "vantagens políticas e econômicas".

 

O porta-voz precisou que a CCDHRN está de acordo com a "manutenção dos canais diplomáticos", pois não são "partidários do isolamento do regime cubano".

 

Além disso, disse que aprovam que existam "respostas significativas" do bloco, prevendo a possibilidade de que, dentro da posição comum, a UE apresente na segunda-feira um novo marco de relações com Havana em resposta ao processo de libertações de presos políticos iniciado em julho passado.

 

Laura Pollán, porta-voz das "Damas de Branco", grupo de mulheres familiares dos dissidentes presos em 2003, acredita que enquanto as leis continuem iguais em Cuba, os problemas com os direitos humanos persistirão e, embora agora tenham ocorrido as libertações, no futuro outros dissidentes podem ser presos.

 

A porta-voz acha que a UE deveria manter sua postura e fazer "algumas concessões, mas muito discretas", porque uma maior abertura significaria um "fracasso para o povo de Cuba", já que "essa pressão é o que faz com que nestes momentos o Governo queira mudar um pouco sua imagem".

 

Segundo informações vazadas, a União Europeia começará a estudar vias para estabelecer um novo marco de relações em resposta aos passos dados por Havana, como as libertações e as reformas econômicas, e espera adotar essa decisão na segunda-feira em Luxemburgo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.