Distúrbios de agravam, e oposição grega pede saída do governo

Tropas de choque e manifestantes se enfrentaram na terça-feira em frente ao Parlamento grego e em subúrbios de Atenas, enquanto a oposição socialista pediu que o governo renuncie diante da pior onda de distúrbios no país em várias décadas. O confronto diante do Parlamento durou mais de uma hora, e só terminou quando os policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que protestam contra a morte de um adolescente de 15 anos, vítima da polícia. Grupos de jovens manifestantes se reagruparam depois do gás e apedrejaram a polícia, enquanto gritavam "Que queime o Parlamento". No quarto dia de violência, os protestos se espalharam para os subúrbios da capital, depois do funeral de Alexandros Grigoropoulos, que morreu no sábado. A indignação popular pela morte dele se soma ao descontentamento com o governo, especialmente devido à crise econômica. Mais de 5.000 pessoas vestidas de preto foram ao cemitério, muitas delas chamando os policiais de "porcos assassinos". Enquanto o caixão branco, coberto de flores, baixava à sepultura, jovens enfrentavam a polícia no lado de fora. Um agente fez disparos para o alto na tentativa de dispersar a multidão. O primeiro-ministro Costas Karamanlis, cujo partido Nova Democracia tem maioria de apenas um deputado, realizou reuniões de emergência com o presidente e com a oposição para pedir união contra os arruaceiros. "Devemos ter todos uma postura unida contra ações ilegais, condenar claramente a violência, o saque e o vandalismo", disse ele, que pediu aos sindicatos que cancelem uma grande passeata durante a greve geral de 24 horas marcada para quarta-feira. A polícia teme que a greve alimente mais violência. Os sindicalistas e políticos de esquerda rejeitaram o apelo do governo, cujas reformas, segundo eles, pioraram a situação do país, deixando um quinto da população na pobreza. "O governo perdeu a confiança do povo", disse o dirigente socialista George Papandreou. "A única coisa que este governo pode oferecer é renunciar e aceitar o veredicto do povo." Muitos dos manifestantes no centro de Atenas não pertencem nem aos grupos anarquistas nem ao movimento estudantil, os integrantes mais visíveis das manifestações dos últimos. Um engravatado que corria do gás em frente ao Parlamento gritava: "Eles (o governo) devem ir embora!". (Reportagem adicional de Renee Maltezou, Michele Kambas, Deborah Kyvrikosaios, Lefteris Papadimas, Tatiana Fragou e Angeliki Koutantou)

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