DNA na mala do carro é de Madeleine, diz Times

Casal McCann, considerado principal suspeito pelo desaparecimento da filha, teve telefones grampeados

Agências internacionais,

11 de setembro de 2007 | 08h14

A polícia portuguesa teria coletado amostras de DNA que "correspondem 100%" ao de Madeleine McCann, a britânica de 4 anos desaparecida há 131 dias na Praia da Luz, em Portugal, de acordo com uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico The Times.  Veja também: Vivemos um constante pesadelo, diz pai de MadeleineA polícia teria encontrado amostras de DNA idêntico ao da menina debaixo do tapete da mala do carro que o casal McCann alugou mais de um mês depois do desaparecimento de Madeleine. De acordo com o canal de televisão Sky News, a polícia portuguesa teria concluído que as amostras são provas de que Katherine e Gerry McCann transportaram o corpo da menina no carro. O Times entrevistou uma fonte envolvida nas investigações que teria dito "que a descoberta mostra que os pais têm muito o que explicar". Uma outra amostra de DNA teria sido encontrada na mala do mesmo veículo, esta, no entanto, corresponderia a 80% do DNA de Madeleine Nesta terça-feira, o promotor português responsável pelo caso Madeleine, João Cunha de Magalhães e Menezes, deve receber da polícia um dossiê com todas as provas de DNA, transcrições dos interrogatórios com os McCann e de conversas telefônicas grampeadas entre eles e amigos. A polícia portuguesa também teria interceptado emails enviados pelos McCann. Entre as informações levantadas pela investigação policial estariam ainda 40 perguntas que os pais da menina desaparecida teriam se recusado a responder. Na semana passada, a imprensa portuguesa noticiou que cães farejadores especialmente treinados para identificar o odor de cadáveres teriam reconhecido o cheiro de Madeleine em roupas da mãe, Katherine, e em bichos de pelúcia da menina. O casal McCann voltou para o Reino Unido neste fim de semana, sob acusações da imprensa portuguesa de que o retorno não passou de uma manobra jurídica para dificultar um possível processo contra eles. Ambos afirmam ser inocentes e mantêm que a prioridade da família continua ser descobrir o que aconteceu à pequena Madeleine. No blog mantido por Gerry McCann na internet, ele escreveu na noite de segunda-feira que "Kate e eu (Gerry) estamos totalmente 100% confiantes na nossa inocência, e amigos e família correram para nos apoiar incondicionalmente".  Depois de terem sido considerados suspeitos pelo desaparecimento da própria filha, os pais anunciaram no domingo que recorrerão ao advogado Michael Caplan, que defendeu o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, acusado de crimes contra a humanindade. Caplan ganhou fama ao conseguir evitar que Pinochet fosse extraditado do Reino Unido para a Espanha. Custódia A imprensa britânica informa nesta terça-feira que os serviços sociais do condado de Leicestershire, no centro da Inglaterra, onde vivem os McCann, se reuniram na última segunda com a Polícia para analisar a situação dos gêmeos Sean e Amélie, de 2 anos. O jornal The Sun diz que os serviços sociais poderiam retirar dos McCann a custódia dos filhos, agora que eles são suspeitos do desaparecimento da filha mais nova. Suspeitas Na última segunda-feira, o jornal britânico The Times elencou as questões mais importantes e que ainda não foram esclarecidas sobre o desaparecimento de Madeleine, revelando que ainda restam lacunas na investigação e questões óbvias sobre o caso que ainda permanecem sem resposta. O Times questiona, por exemplo, o que os pais da menina estariam fazendo quatro horas antes de reportar o suposto seqüestro da filha de 4 anos. Ainda não está claro se mais alguém além dos pais chegou a ver a menina viva entre 18 e 22 horas, quando foi denunciado o desaparecimento.  Autoridades tentam ainda descobrir como os irmãos que dormiam com a menina não acordaram enquanto Madeleine foi levada. Sean e Amélie permaneceram dormindo durante o ataque histérico da mãe ao notar o desaparecimento da filha mais velha e ao mesmo tempo em que as buscas eram realizadas por dezenas de pessoas no hotel. O casal nega que os filhos tenham sido sedados naquela noite.

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