Dois bombardeiros russos aterrissam na Venezuela

Aeronaves Tu-160 farão vôos de treinamento sobre águas neutras; Chávez diz que quer pilotar um dos aviões

Agências internacionais,

10 de setembro de 2008 | 14h43

Dois bombardeiros supersônicos russos Tu-160 aterrissaram nesta quarta-feira, 10, no território da Venezuela para a realização de vôos de testes em águas internacionais, informou o Ministério da Defesa da Rússia. As aeronaves realizarão vôos de treinamento sobre águas neutras durante vários dias antes de retornarem à Rússia, declarou a Defesa russa em comunicado, de acordo com a agência russa Interfax.   O presidente Hugo Chávez confirmou que os bombardeios russos chegaram no país para manobras militares. Em declarações para rádios e emissoras de televisão, Chavéz afirmou que os aviões chegaram "dentro de seu esquema de manobra estratégica" e disse ainda que vai "pilotar um desses bichos".   No início da semana, a Rússia confirmou que enviará uma esquadra naval, além dos aviões de ataque, para o exercício conjunto com a Venezuela em novembro - ação que maraca a retomada da presença militar de Moscou no Caribe pela primeira vez desde a Guerra Fria. A decisão foi anunciada em um momento de tensão entre EUA e Rússia, cujo premiê, Vladimir Putin, ameaçou na semana passada "responder" ao crescente número de navios de guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Negro.   Os Tu-160 aterrissaram em um aeroporto da Venezuela após atravessar o oceano Atlântico em 13 horas, travessia durante a qual foram escoltados por caças russos Su-27 e, durante certo tempo, vigiados por aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Todos os vôos das Forças Aéreas da Rússia são realizados em estrito respeito das normas internacionais de uso do espaço aéreo sobre águas internacionais, sem violar as fronteiras de nenhum Estado", disse Aleksandr Drobishevsky, chefe do departamento de imprensa do Ministério da Defesa.   O porta-voz militar afirmou que a aviação estratégica russa voa "com regularidade" sobre águas internacionais nos oceanos Atlântico, Pacífico e Ártico, além de no Mar Negro. A Rússia retomou em meados de agosto do ano passado os vôos dos aviões estratégicos a zonas patrulhadas pelos Estados Unidos e pela Otan, suspensos desde 1992.   O Tu-160, (Black Jack, segundo a Otan), é capaz de levar 12 foguetes de cruzeiro com ogivas nucleares ou convencionais e 40 toneladas de bombas, e é o maior avião de guerra da história. Segundo os analistas russos, tanto a aterrissagem dos aviões estratégicos na Venezuela quanto as manobras navais conjuntas são uma resposta tanto à aproximação da Otan a suas fronteiras como ao desdobramento de elementos do Sistema de Defesa Nacional contra Mísseis americano na Polônia e na República Tcheca. Os dois projetos são considerados pelo Kremlin uma "ameaça direta" para sua segurança.   Ainda no início da semana, o governo dos EUA tentou reduzir a importância dos exercícios conjuntos, afirmando que não está preocupado com a presença militar russa perto de suas fronteiras. "Fazemos esses exercícios em todo o mundo e realizamos manobras conjuntas com diversas nações", afirmou Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono. No entanto, o anúncio sobre as manobras conjuntas foi feito uma semana depois de Putin ter alertado o Ocidente que Moscou responderia "com calma e sem nenhum tipo de histeria" à movimentação de navios americanos na costa georgiana. A Rússia também acusou Washington de entregar armas para Tbilisi usando navios que levavam ajuda humanitária para a Geórgia. No sábado, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, perguntou como Washington se sentiria se Moscou enviasse assistência humanitária para o Caribe utilizando a Marinha de Guerra russa.   Nesterenko afirmou que entre as quatro embarcações que a Rússia enviará para a região está o cruzador Pedro, o Grande - considerado um dos maiores navios de combate do mundo. De acordo com a Marinha russa, seus navios chegarão à Venezuela em novembro.   Segundo o porta-voz da Marinha russa, Igor Dygalo, o acordo entre Moscou e Caracas para as manobras militares foi assinado em julho, quando Chávez visitou a Rússia. O líder venezuelano, que já comprou milhões de dólares em armamento da Rússia, é um dos mais ferozes críticos de Washington na América Latina. Chávez afirmou diversas vezes que precisa das armas russas para dissuadir o "império americano" de invadir seu país.

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