Duas prisões britânicas são destinadas apenas a estrangeiros

Se as detenções se mostrarem eficazes, autoridades afirmam que pretendem expandir o sistema

Efe,

24 de outubro de 2007 | 16h26

Duas prisões britânicas foram sigilosamente destinadas a estrangeiros condenados por crimes cometidos no Reino Unido, revelaram autoridades nesta quarta-feira, 24. As prisões fazem parte de uma rede especializada em criminosos estrangeiros, muitos dos quais à espera de deportação. Se for demonstrada eficácia do sistema, o Serviço Penitenciário pode decidir sua expansão para alojar os mais de 11.000 detentos de diversas origens que estão no Reino Unido. A prisão de Bullwood Hall, em Essex, era a princípio uma prisão de mulheres. Mas em junho, sem aviso prévio, foi destinada exclusivamente a estrangeiros. Já a de Canterbury (Cantuária) abriga apenas criminosos estrangeiros desde maio. Na primeira delas há 187 detentos não-britânicos. Na segunda, há 284. Mas há outras prisões com porcentagens variadas de população carcerária estrangeira. Na penitenciária feminina de Morton Hall, em Lincolnshire, 70% dos presos não são britânicos e, na masculina de Verne, esse grupo chega a 65%. A inspetora-chefe de prisões Anne Owers explica em relatório apresentado hoje que em Bullwood Hall há presos estrangeiros com doenças mentais graves que requerem cuidado especializado e apoio emocional. Segundo Owers, a equipe que trabalha na penitenciária às vezes acha difícil prestar a ajuda necessária por causa das diferenças de cultura e de idioma. É mais fácil prestar esse tipo de serviço especializado em um só lugar do que distribuí-lo por toda a rede carcerária. O secretário de Estado de Justiça, David Hanson, defendeu a política carcerária do governo e disse que serve para acelerar e tornar mais eficaz o processo de deportação de criminosos estrangeiros. "Trata-se de um experimento para ver se podemos acelerar a deportação dos estrangeiros, sobretudo dos que estão já próximos a terminar de cumprir a pena", declarou Hanson à "BBC". O ministro trabalhista explicou que o governo conseguiu aumentar significativamente o nível de deportações nos dois últimos anos. "Há dois anos, foram deportados 1.500 presos. No ano passado foram 2.500. Este ano, alinhado com o compromisso do primeiro-ministro, Gordon Brown, pensamos em chegar a 4.000", disse. Hanson afirmou que há acordos com mais de 100 países para que os detentos terminem de cumprir as penas nos países de origem, mas acrescentou que não é possível deportar criminosos assim que condenados.

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